João Alvarenga
Em defesa da leitura (parte 1)
Este texto, estimado leitor, é mais do que um artigo! É quase um manifesto em defesa da leitura. Porém, como esse assunto é complexo, será tratado em duas partes. Nesse primeiro momento, falaremos sobre as causas da crise do livro no Brasil. No próximo domingo, focaremos nas estratégias que podem ser desenvolvidas pelos educadores, a fim de minimizar esse problema que gera inúmeras consequências negativas à educação, pois compromete a aquisição de conhecimento. Quem convive com os estudantes percebe que, no dia a dia, há muita resistência ao ato de ler, principalmente as obras que são requisitadas nos principais vestibulares do País (Fuvest/Unicamp).
Por isso, educadores lamentam que esse comportamento se faça presente entre aqueles que deveriam ser os mais interessados nesse assunto: os estudantes. Mas, infelizmente, muitos alunos se mostram simpáticos aos “games” em detrimento aos livros. Passam mais tempo na internet do que estudando. No entanto, esses jovens mal sabem que essa atitude resulta no empobrecimento intelectual do País, comprometendo o progresso profissional de vários alunos. Mas, esse problema não se restringe apenas aos adolescentes, pois muitos adultos também desprezam os livros. Para os especialistas, a origem desse descaso começa nos lares brasileiros, algo que se reflete no mercado editorial brasileiro, com o fechamento de editoras e livrarias.
Porém, nem tudo está perdido, porque educadores cobram medidas urgentes, por parte do governo, para reverter esse cenário crítico. O problema disparou um alerta no parlamento brasileiro. Tanto que tramita na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei nº 3243/23, que visa combater esse quadro lastimável. Caso seja aprovado, estados e municípios terão que criar estratégias pedagógicas que facilitem o acesso ao livro, além de incentivar a leitura entre os alunos. Detalhe: governadores e prefeitos terão até 2028 para por em prática essa ação.
A ideia parece boa, mas os parlamentares se esqueceram de que, desde 2018, o País já conta com um plano similar (em nível nacional) de igual envergadura. No entanto, parece que os gestores públicos ignoraram essa iniciativa anterior. Ou seja, pouco se fez, até agora, em favor do livro. Nem mesmo uma ação que colocasse a importância da leitura em destaque, via campanhas educativas. Educadores têm a impressão de que o MEC não tem desenvolvido ações contínuas que despertem, na sociedade, o apreço pela leitura de bons livros. Além disso, em favor da “praticidade”, as pessoas, atualmente, dão mais importância a tudo o que é digital e desprezam o mundo analógico. Isso se confirma também nas escolas, pois algumas instituições de ensino estão substituindo o material didático impresso pelo digital, com acesso “on-line”, via internet.
Para os pedagogos, isso gera um impacto negativo nos alunos, em relação às obras literárias físicas. Pois, muitos estudantes acham que ler obras impressas é “coisa do passado”. Porém, o problema é que nem mesmo o livro digital é acessado pela maioria dos estudantes. Educadores percebem que as plataformas de lazer (jogos eletrônicos) afugentam os alunos da boa literatura. Outro dado alarmante: muitas escolas não contam com bibliotecas. As que têm, geralmente, possuem um acervo reduzido de obras literárias (em prosa ou versos). Ou estão defasadas.
Por isso, a medida dos parlamentares só terá eficácia, se houver uma cobrança das prefeituras, no sentido de exigir que as escolas tenham boas bibliotecas, além de implantar ações pedagógicas lúdicas que estimulem o gosto pela leitura. Afinal, não será por força de lei que o descaso para com os livros será contornado da noite para o dia. Por mais que haja boa intenção, uma canetada não muda certos hábitos, principalmente quando já estão enraizados na sociedade. É preciso que haja boa vontade de pais e professores, para que tal medida se torne uma realidade. Bom domingo!
João Alvarenga é professor de redação.