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Celso Ming

É a vez de mudanças na economia

28 de Outubro de 2024 às 22:00
Cruzeiro do Sul [email protected]
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. (Crédito: FREEPIK)

Alguma mudança importante precisa ocorrer na política econômica. Ainda que disfarçadas de desenvolvimentistas, as velhas propostas populistas do governo do PT já não conseguem alavancar apoio político.

O presidente Lula ainda tenta manter no ar a narrativa de que a perda de apoio político se deve unicamente à comunicação ineficaz por parte de seus ministros e dos políticos petistas e aliados, que não conseguem dar a devida ênfase aos bons resultados da atual política, como o crescimento da atividade econômica e a redução do desemprego.

Mas o problema não é apenas de comunicação, embora ela também possa contribuir. O estrago político produzido pelo rombo fiscal, que se traduz em quebra da confiança e em redução do investimento, já é maior do que o efeito na população produzido pelos pacotes de bondade distribuídos pelo governo.

Os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento, vêm avisando que está em elaboração um conjunto de decisões que, desta vez, não mais tratarão de aumentar a arrecadação, mas cuidarão de cortes decisivos nas despesas orçamentárias. Falta saber se terá proporções relevantes de maneira a equilibrar as contas públicas. Até agora, quaisquer iniciativas nesse sentido foram torpedeadas pelo presidente Lula. Se essas decisões não vierem, aumentará a erosão da confiança, a cotação do dólar saltará, a inflação e os juros irão atrás e a turbulência fará estragos.

A questão de fundo é de mudança de mentalidade. Não se trata apenas de remover de dentro do governo eventuais resquícios da desastrada Nova Matriz Econômica, elaborada pelo então ministro Guido Mantega, e que a presidente Dilma colocou em prática. Há ainda quem pregue redução dos juros na marra e o despejo de despesas públicas supostamente destinadas a puxar pelo crescimento econômico e pela criação de empregos.

E também não se trata de impor uma política temporária de responsabilidade fiscal, como a adotada pelo então ministro Antonio Palocci nos dois primeiros anos do primeiro mandato do presidente Lula. Trata-se de tocar a economia baseada no equilíbrio das contas públicas, sem renúncia a uma sólida política social.

Essa mudança de mentalidade não precisa acontecer em meio a um vazio programático. O Brasil é um dos poucos países do mundo com amplas condições de definirem e colocarem em prática uma estratégia de desenvolvimento baseada na transição energética, que visa à substituição da energia fóssil por energia limpa, capaz de envolver todas as áreas da economia e de resgatar a indústria que continua definhando.

Se um recado importante foi dado pelas urnas foi o de que a exploração de antagonismos, do nós contra eles, já não serve nem para garantir apoio político nem para pavimentar uma boa administração econômica.

Celso Ming é comentarista de economia.