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João Alvarenga

O espírito da guerra

No fundo, quando o espírito da guerra se instala numa determinada região do globo, o planeta adoece ante tanto sofrimento

28 de Outubro de 2023 às 23:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: REPRODUÇÃO / INTERNET)

 

“Numa guerra, a primeira vítima é a verdade”. Essa frase do jornalista Alexandre Garcia, dita num de seus recentes comentário, na Cruzeiro FM 92,3, ilustra bem a realidade dos conflitos internacionais, pois antes que alguém dispare o primeiro míssil, há um bombardeio de mentiras. Traduzindo: cada um defende sua suposta verdade. Antes, a mídia tradicional era o campo minado; hoje, a internet tornou-se a trincheira das mentiras. Assim, nunca saberemos, de fato, quem está com a razão, se é que isso é possível numa guerra ou, menos ainda, por que ela começou? Logo, os versos de Bertold Brecht: “Dão sopa aos soldados para que nunca perguntem por que vão à guerra”, reforçam a estupidez dos combates, pois enquanto os soldados morrem nos campos de batalha, os líderes de seus países assistem à barbárie em confortáveis salas com ar-condicionado.

Há poucos dias, a mídia concentrava seu noticiário na guerra na Ucrânia, pois a Rússia avança sobre aquele país armada até os dentes. Parece que os apelos de Zelensky ao ocidente — em defesa de seu país - já não despertam tanta atenção dos repórteres. Pois, como foi dito, recentemente, numa programa de TV, o jornalismo vive de fato novo, mesmo que seja trágico. Isso é uma verdade lamentável, por isso, a memória midiática da população se perde com facilidade.

Assim, neste exato momento, as atenções se voltam para a Faixa de Gaza, região em que o ódio entre palestinos e israelenses sobrevive há décadas, com tempos de aparente paz e momentos de intensos bombardeios. Aliás, esse território (um barril de pólvora) é disputado por palestinos e israelenses. E tudo indica que isso está longe de um desfecho amigável. Ou seja, poderá haver um massacre dos dois lados.

Afinal, quando havia uma aparente tranquilidade no ar israelense, o mundo foi surpreendido pelo brutal ataque do Hamas contra civis inocentes, incluindo bebês. Covardemente, os terroristas não só sequestraram centenas de cidadãos, como assassinaram jovens que, alheios ao perigo, divertiam-se numa rave.

A reação israelense também foi violenta. Logo que o conflito começou, este matutino estampou, na primeira página, uma imagem emblemática: um campo agrícola, nos arredores de Gaza. Mas, ao invés de plantações, vários tanques de guerra preparados para o ataque, seguida da declaração de Netanyahu: “Israel está pronto”. Tal imagem sintetiza o que a guerra representa para a humanidade, pois além da verdade ser abatida primeiro, em seguida, os campos — que deveriam semear o pão — semeiam o ódio, a dor, a fome e a morte.

No fundo, quando o espírito da guerra se instala numa determinada região do globo, o planeta adoece ante tanto sofrimento. Crianças, jovens, velhos e até animais de estimação são dizimados injustamente. A barbárie é tanta que nada é poupado: monumentos históricos, igrejas centenárias e museus são postos abaixo. Isso, numa tentativa insana de apagar os vestígios de uma nação que, ali, um dia existiu. Mais do que isso, acabar com o povo, sua cultura e suas tradições. Nem mesmo a natureza é poupada, pois espécies de animais e plantas — seres extremamente indefesos — também são abatidos.

Para quem tinha dúvida sobre a guerra, as imagem dos bombardeios, que chegam todos os dias, falam mais do que mil discursos da ONU em favor da paz. Porém, analistas de guerra afirmam que as peças do xadrez geopolítico estão espalhadas pelo tabuleiro de forma confusa. Inclusive, há o temor de que outros países inimigos ferrenhos de Israel entrem na contenda, embora os Estados Unidos sejam aliados dos israelenses e estejam prontos para agir. Oxalá, o espírito da guerra seja contido e, quando você terminar a leitura deste artigo, isso já tenha se tornado assunto do passado. O mundo espera que os dois lados tenham encontrado o caminho do diálogo, com um cessar fogo imediato, a fim de que vidas sejam poupadas. Um domingo de paz a todos!

João Alvarenga é professor de redação