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Paulo Sergio Bretones

Uma fascinante viagem ao Irã

País era o centro do Império Persa há 2.500 anos, como pode ser visto no Museu do Golfo Pérsico, na cidade de Bushehr, de frente para o Golfo Pérsico

08 de Junho de 2022 às 00:01
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Professor Paulo Bretones exibe homenagem prestada pelo prefeito de Pasargada durante evento na prefeitura local.
Professor Paulo Bretones exibe homenagem prestada pelo prefeito de Pasargada durante evento na prefeitura local. (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Prof. Paulo Sergio Bretones

Recentemente, viajei para o Irã, onde permaneci por 17 dias. A experiência vale a pena ser contada pela história e cultura desse país. Fui convidado devido à colaboração com colegas iranianos em eventos e o projeto “Dia da Astronomia nas Escolas”, promovido pela Comissão de Educação em Astronomia e Desenvolvimento da União Astronômica Internacional (IAU). O projeto considera importantes as datas de início das estações do ano, como tradição cultural apoiada pela Unesco. Em anos anteriores promovemos a noite de Yalda, o início do inverno no Irã. Durante a minha viagem ocorreu o Nowruz, em 20 de março, dia do ano novo iraniano.

Estive em nove cidades, fiz seis palestras e participei de muitas reuniões, uma delas com o subministro da educação, Mohammad Mahdi Kazemi. As palestras incentivam estudos sobre educação em astronomia e formação de professores e estudantes em universidades e outras instituições. No Irã, muitos projetos são resultado de esforços de instituições como a União Astronômica de Professores Iranianos (Itau) e a Rede Internacional de Estudantes de Astronomia (Sina). Participei de reuniões e fiz palestras em sistemas de ensino e locais de pesquisas para professores e alunos.

Fui entrevistado várias vezes pela mídia local. Uma delas, no planetário de Teerã, com a participação do diretor da instituição, foi veiculada no Dia Internacional de Planetários, em 14 de março. Após visitar o observatório de Biruni, fiz uma palestra na Universidade de Shiraz. Nesta cidade fica o Complexo de Dastgheib, onde são feitas observações do céu com estudantes. Em Pasargada, fiz palestra, fui homenageado com faixas e recebi um certificado das mãos do prefeito. Também visitei a tumba do imperador Ciro II.

Algumas viagens foram feitas de avião, outras de carro, passando por estradas no interior, com suas belas montanhas e desertos. É o caso da montanha de Beyrami, onde está preservado o Castelo de Shirineh, considerado patrimônio da Unesco. Nessa localidade participei do Chaharshanbe Suri, festival celebrado na véspera da última quarta-feira antes do Nowruz.

Visitei, ainda, vários museus de história antiga, islâmica e castelos. Entre eles, o Castelo de Karim Khan e o museu Pars, onde está exposto um quadro com Jesus, Maria e Hafez, poeta e filósofo persa, respeitado por hindus, cristãos e judeus. Conheci, ainda, o mausoléu em Shiraz e obras de Al Sufi, Avicena, Rasis, Omar Khayyam, entre outros. O país era o centro do Império Persa há 2.500 anos, como pode ser visto no Museu do Golfo Pérsico, na cidade de Bushehr, de frente para o Golfo Pérsico. Na Universidade de Bushehr, outra palestra e reunião com Arash Khosravi, diretor de assuntos internacionais, e estudantes estrangeiros visando colaborações. Mais tarde fui entrevistado pela TV Bushehr.

Na praia de Bandar, participei das comemorações do Nowruz com música na vizinhança. A importância cultural do evento para a educação foi apresentada em uma reunião internacional online organizada pela IAU. Em Ahram tive reunião com o líder religioso local. Em Persépolis, construída por Dario I e ampliada por seu filho Xerxes I, pude ver relevos representando Aura Mazda, o deus do bem, segundo Zaratustra -- ou Zoroastro --, um profeta e poeta nascido no Irã no século VII a.C. Ele foi o fundador do Masdeísmo ou Zoroastrismo, que pode ter sido a primeira religião monoteísta ética da história. Seus ensinamentos formam um triângulo: bons pensamentos, boas palavras e boas ações -- sempre e em todos os lugares.

Em Esfahan, visitei a praça de Naghsh Jahan, com duas mesquitas e o palácio de Ali Qapu. Devo muito a Hasan Baghbani, Mahdi Rokni, Hosein Khezri, Maryam Papar, Ali Reza Doosti, Parham Eisvandi, Seyedeh Fatemeh Hasheminasabe, Gholam Reza Izadpanah e outros por me acompanharem. Uma viagem fascinante em um país com muita história e cultura que valem a pena ser conhecidas. Ao final de tantas guerras, ao longo da história, atualmente, o Irã está em paz com o Iraque e outros vizinhos. Um povo muito gentil, onde as pessoas se cumprimentam dizendo “Salam” (que a Paz esteja com você) e pondo a mão sobre o coração.

Paulo Sérgio Bretones é professor do Departamento de Metodologia de Ensino/UFSCar