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Vanderlei Testa

As vovós namoradas e suas histórias de vida

Os nossos avós fazem parte dessa história de namoro e casamento. Graças a eles é que estamos aqui

07 de Junho de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: ARTE: VT )

Dia 12 de junho é celebrado o Dia dos Namorados. Também no mesmo mês, a festa de Santo Antônio motiva milhares de moças à busca do namorado. Os nossos avós fazem parte dessa história de namoro e casamento. Graças a eles é que estamos aqui, contando o que os netos e netas sentem. Valeu a pena retornar ao tema avó da semana passada. Foram tantas manifestações que recebi que me sinto feliz em compartilhar os sentimentos dos leitores.

Rosana Roz Barscevicius e a irmã Roseli Roz Neves contaram que a avó espanhola, Dolores Delgado Roz, encantava a todos com o seu amor e carinho para com as pessoas. Ela tinha algumas habilidades especiais naquela época: furar as orelhas das crianças recém-nascidas para colocar brinco ou “cuidar dos umbigos dos bebês. Quando podia, ajudava nos partos e até orava para ‘cortar o medo’ das crianças de andar”. Ela era amor em pessoa, juntamente com a bisavó Ana. “Duas mulheres que jamais esqueceremos”.

Neusa Sizuko disse que a sua avó Maria Ana, descendente de índio, nasceu na Paraíba. O seu filho casou com uma japonesa e com isso o cardápio em casa ficou nordestino e japonês. Neusa diz que aos doze anos de idade foi morar com a avó. Já adulta, a Neusa cita que a vovó foi uma segunda mãe em sua vida. Eleni Firmino Haro Rodrigues, conta que a sua avó materna, Maria Manzano Haro, morava na rua Péricles Pilar. Marcaram os conselhos e testemunhos de vida da avó, que promovia encontros no dias das mães e fazia os bolinhos fritos na frigideira. Todos os filhos e netos se reuniam para saborear as migas de pão, bolinhos de chuva e outras delícias da nona.

O Edivaldo Gomes se lembra da avó na rua Quinzinho de Barros. Ela ficava na janela da sua casa olhando a rua. Juliana Cristina diz que a avó Neyde Alves Landi era uma enfermeira que trabalhou até a sua aposentadoria. Ela cuidava de todas as crianças da família quando nasciam. Dava o primeiro banho, mantinha a higiene no umbigo dos bebês e demais cuidados. Juliana sente-se grata a avó que ajudou muito a sua filha. Ela faleceu aos 89 anos. Como guerreira, partiu e deixou para sempre a sua generosidade como exemplo de vida.

A Tati Betoldo disse que a sua avó Alzira Francischet era uma pessoa de personalidade forte. Ela trabalhava com amor ao que fazia e nunca reclamava de nada. Acordava às 5 horas da manhã e não parava enquanto tinha algum serviço a ser feito. Viveu até os 87 anos e como batalhadora e mulher serena, deixou um legado de amor ao próximo que a inspira a segui-la.

O padre João Alfredo Pires de Campos me contou que a sua avó paterna, Silvia, marcou muito a sua vida. Religiosa e piedosa morava em Tatuí, onde exercia a sua missão cristã à comunidade. Padre João relembra que nas suas férias aproveitava para estar junto com a avó em suas visitas a algum parente e até ao cemitério e à igreja. Uma mulher carinhosa e agradável. “A avó que me ensinou a confiar em Deus nos momentos difíceis”, disse.

O Sandro Dini, filho da Sônia Dini, destacou a avó Nina e os seus bifes acebolados nos almoços. Uma avó inesquecível no coração dos netos. Juliana Moraes citou que a avó Ana era conhecida como “Donana”. Morava na Vila Santana. Sua especialidade era cozinhar. Juliana ressalta que o cheiro da comida era tão gostoso que ela virava a esquina e já sentia o tempero da avó. As avós materna e paterna estarão na sua lembrança e orgulho da neta que ama cada uma em suas histórias de vida.

Izilda Mangano frequentava a casa da avó Benedita Godinho, na rua Aquiles de Almeida. Ainda está na sua memória o pé de goiaba que ficava dentro de um cercado do galinheiro. Izilda diz que era uma aventura subir na goiabeira correndo das galinhas. Márcio Gardenal se orgulha da avó Yolanda Scudeller Gardenal, que o ensinou a rezar. Tomar café da tarde com ela e rezar o Terço ficaram na lembrança da sua infância. O maior exemplo foi ela ter criado 11 filhos como pessoas do bem e responsáveis.

Maria Helena Arruda Chagury é neta da dona Olga. Foi uma segunda mãe que a criou com muito amor e respeito. Lourdes Medina enfatizou a importância da avó Virgínia. Na sua infância, as suas famílias moravam na cidade de Ipaussu. Ficaram na sua lembrança as pessoas que procuravam a sua avó para rezar por elas. Era “benzedeira” conhecida na cidade por seu amor ao próximo. Eliana Cardoso citou a sua avó Maria, que morava na rua André Zunega, Vila Hortência. A avó da Eliana tinha habilidades na gastronomia e sempre esperava a neta com coxinhas e pamonhas. “Impossível esquecer-me da vovó!”

Rita Machado é neta da vovó Candinha, que morava em Pilar do Sul. Entre muitas das recordações de sua vida, o leite morno com mel ficou na sua história da sua infância. Hélio Godoy contou que a sua avó Benedita Faustina Macedo, conhecida como “dona Ditinha” era parteira. Ele se lembra de quando criança, em um sitio da cidade de Coronel Macedo, a sua irmã Laura foi ter o seu bebê pelas mãos da sua avó. Hélio também destaca que vovó Ditinha o ensinou a orar o Santo Anjo, prece que ele passou aos seus filhos. “Ela foi uma mulher que viveu em santidade e profundo amor ao próximo. Uma parteira que ajudou as mamães na hora do parto e na alegria do milagre da vida. Uma avó que deixou o legado que todos devemos cuidar do próximo com amor e caridade.”

Rosângela Camilo Sabadin destacou a avó Maria Izabel, que preparava na sua infância deliciosas panquecas doces. A imagem de estar com os pezinhos em cima dos pés da avó na beira da piscina, em Botucatu, permanecerá para sempre na sua vida.

No dia 12 de junho o jornal Cruzeiro do Sul completa 119 anos de vida. Parabéns!

Vanderlei Testa ([email protected]), jornalista e publicitário, escreve às terças-feiras no jornal Cruzeiro do Sul