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João Alvarenga

Mãe: sublime amor

Mais do que lembrancinhas, o que importa, realmente, não é o presente. Mas, estar presente! Isso sim ficará na lembrança

07 de Maio de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: Divulgação)

 

Mãe. Uma palavra tão pequena, mas de uma grandeza incomensurável. Os leitores que me desculpem pelo clichê, mas essa data sempre mexe com nossos sentimentos. Afinal, maio é um mês muito especial: das mães, de Maria e das noivas. São muitas celebrações ao mesmo tempo. Mas, neste ano, há um significado maior nessa celebração. Afinal, as famílias finalmente poderão homenagear suas mães com o tradicional almoço de domingo. Não faltarão abraços, gestos de carinho e afeto dobrado. Há dois anos, isso era praticamente impossível. A saudade também se fará presente, porque muitas mamães perderam seus filhos durante a pandemia. A dor da ausência, também, estampará a face de muitos filhos que ficaram sem suas mães.

Apesar da dor, haverá instantes de alegria para muitas famílias, já que o dia de amanhã terá um novo sentido para todos nós. Afinal, o sublime amor de mãe terá seu lugar de destaque novamente. Os versos dedicados à figura materna serão recuperados, pois muitos poetas declararam seu amor às devotadas mães. Em rimas, tentam definir o sentido de profundidade do amor maternal que toca até o mais empedernido coração.

Para ilustrar o que digo, cito Carlos Drummond de Andrade, que é imbatível no quesito originalidade, quando diz: “Se fosse rei do mundo, baixava uma lei, mãe morre nunca”. Na verdade, Drummond não entedia porque “Deus permite que as mães vão embora”. No fundo, nenhum filho é capaz de aceitar, serenamente, esse desígnio divino. Afinal, não há remédio que cure um coração que sente a ausência materna. É uma dor que o tempo não apaga, mesmo quando a velhice avança e consome a memória, “porque mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não se apaga”.

Mas, a arte de declarar amor às mamães não é mérito apenas dos poetas. Muitos compositores também cantaram esse puro sentimento. Assim, os versos: “Eu tenho tanto para lhe falar, mas como palavras não sei dizer”, de Roberto Carlos, falam o que muitos filhos não conseguem dizer, porque o olhar diz muito mais. Para Caetano Veloso, “ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos”. Se fosse buscar pela memória, faltaria espaço para tantas canções que exaltam a figura materna, sob vários aspectos.

Enfim, amanhã será um “lindo dia da mais louca alegria”, pois os filhos renderão singelas homenagens a quem lhes deu a vida. E, apesar do apelo comercial que a data enseja, o carinho valerá mais do que qualquer presente. Mais do que lembrancinhas, o que importa, realmente, não é o presente. Mas, estar presente! Isso sim ficará na lembrança. E mesmo que você não tenha grana dar um simples botão de rosa para sua mãe, dê seu carinho, explicite seu amor. Fale o quanto ela é importante na sua vida. É hora de marcar esse momento! Feliz Dia das Mães a todos!

João Alvarenga é professor de Redação e cronista