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Roque Dias Prestes

Canetada decretou o fim da pandemia

Vamos torcer para que a liberação do uso de máscara facial no Estado de São Paulo não tenha sido apenas e tão somente uma medida de cunho político

19 de Março de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Roque Dias Prestes.
Roque Dias Prestes. (Crédito: Divulgação)

Roque Dias Prestes

Apenas com uma canetada, na quinta-feira (17), o governador João Doria desobrigou o uso de máscara facial no Estado de São Paulo, exceto no transporte público, hospitais e unidades básicas de saúde.

Depois de quase dois anos sendo proibido sair de casa sem estar com parte do rosto coberto por esse desconfortável acessório como proteção ao contágio do vírus da Covid-19, sem dúvida essa decisão do ocupante da cadeira número um do serviço público do principal Estado da República Federativa do Brasil deveria ser recebida com alívio e satisfação pelo povo paulista.

Entretanto, antes de mais nada, é preciso observar que o controle e diminuição dos casos de contaminação pelo novo coronavírus está longe de ser uma realidade. Nada obstante a providencial campanha de vacinação -- que foi muito bem recepcionada pelo povo deste Estado e os demais deste País --, quase quatrocentas pessoas ainda morrem diariamente no Brasil e o número de contaminados contabilizado a cada dia que passa. Um bom consolo é a redução de pacientes internados nos hospitais para tratamento dessa doença.

Dessa maneira, poder-se-ia afirmar que tal decisão do governador paulista foi afoita, ilógica e prematura, uma vez que a prudência e bom senso recomendariam aguardar mais algum tempo, ou seja, que a população que chegou à melhor idade houvesse recebido a quarta dose da vacina, bem como, o índice de petizes tivesse alcançado um percentual bem mais expressivo dessa mesma proteção.

Nesta altura do campeonato, ou melhor dizendo, da corrida dos pré-candidatos ao cargo de presidente da República ,cujo pleito eleitoral falta menos de duzentos dias para ser realizado, é bem possível que com esse “extraordinário” feito, liberar o nosso povo desse inconveniente e antipático item protetor facial -- contudo, necessário e indispensável à saúde individual -- o governador João Doria haja pretendido ganhar uns pontinhos a mais na sua pouco expressiva colocação nas pesquisas eleitorais.

Na verdade, quem pode avaliar com precisão se foi correta, oportuna ou não, essa medida relacionada à saúde pública são os profissionais dessa área de atuação, especialmente os médicos infectologistas.

Até o momento no qual o autor desse artigo digitava-o -- manhã do dia seguinte à assinatura do decreto governamental -- não se conhecia, ainda, nenhuma manifestação desses profissionais.

Vamos torcer para que a liberação do uso de máscara facial no Estado de São Paulo não tenha sido apenas e tão somente uma medida de cunho político, mas, sobretudo, uma demonstração de que realmente já se tornou dispensável cada um de nós sair de casa com parte do rosto coberto, como se fossemos um fora da lei, um bandido.

Quando, até há poucos anos, iríamos imaginar que, um dia, teríamos que entrar em uma agência bancária usando máscara? Ou em uma repartição policial e até no Fórum? Tal realidade seria totalmente impensada antes da atual pandemia do novo coronavírus.

O que importa é que o cidadão paulista já não precisa mais cobrir parte do seu rosto para frequentar esses e outros locais.

Precisa também ficar bem claro que a primazia de abolir o uso de máscara facial, com as exceções antes mencionadas, no Brasil é do Estado de São Paulo. Por essa razão, podemos dizer que o governador paulista é corajoso, nada obstante o supedâneo e orientação da sua equipe científica.

De qualquer forma, prezado leitor, nada obstante a incapacidade do autor destas linhas, ratione materie (em razão da matéria), como diziam os antigos que “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”, continue mantendo o distanciamento social fora de casa, esteja ou não fazendo uso de máscara facial. Agora ela tornou-se facultativa.

Roque Dias Prestes é advogado, escritor, jornalista, professor aposentado e presidente da Academia Votorantinense de Letras, Artes e História