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Gasto com educação não é prioridade política

Artigo escrito por Júlio César Cardoso

13 de Outubro de 2021 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Júlio César Cardoso.
Júlio César Cardoso. (Crédito: Divulgação)

Como sói acontecer, os políticos são exímios engenheiros em encontrar soluções surpreendentes. Para eles não existem trincheiras intransponíveis que a engenhosa fábrica do jeitinho brasileiro não possa solucionar. Assim, quando a corporação política deseja satisfazer os seus camaradas, não importam os métodos a serem aplicados, desde que os fins justifiquem os meios empregados.

Pois bem, o Senado acaba de aprovar em segundo turno Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que desobriga por dois anos os Estados e municípios a cumprirem o percentual mínimo de 25% da receita em educação (Artigo 212 da Constituição Federal). A proposta segue agora para a Câmara Federal.

A justificativa da alteração na lei é dar flexibilidade para gestores municipais e estaduais a anistiar a queda dos investimentos na educação durante a pandemia de Covid-19, período em que as escolas ficaram fechadas e houve maior demanda por gastos em saúde.

Se a moda pegar, a Constituição ficará vulnerável e a rigidez de política fiscal prejudicada.
Triste País vítima da pouca seriedade de seus políticos e governos, onde as regras constitucionais são violadas através de PECs, para satisfazer os interesses de políticas governamentais.

Por outro lado, é uma vergonha a colcha de retalhos em que se transformou a nossa Constituição. Tudo é motivo de emenda constitucional. O que nos leva a induzir que a Carta Magna foi operada de forma açodada..., ou mal elaborada.

Senhores parlamentares, educação é a mola propulsora de qualquer país sério. Relativizar ou tratar com desestimo a educação é manter o Brasil em pleno retrocesso em relação ao conceito de nação desenvolvida. Jamais qualquer restrição de recursos poderia alcançar a educação.

Por que os iluminados parlamentares, que desrespeitam a educação, não propõem que os seus salários e gastos sejam congelados até que o País recupere fôlego financeiro?

Recentemente, a Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou que o piso salarial dos professores brasileiros nos anos finais do ensino fundamental é o mais baixo entre 40 países avaliados. Os rendimentos dos docentes brasileiros no início da carreira são menores do que os de professores em países como México, Colômbia e Chile.

Qual é o estímulo para uma pessoa abraçar, no Brasil, a carreira magisterial, se o País, através de seus políticos e governos, desmerece a importância da educação? Vale mais a pena tentar ser político para desfrutar de excelente remuneração e mordomia, não é mesmo?

O Brasil, por meio de seus políticos e governantes, só encontra soluções de caixa aumentando a carga tributária ou interferindo na própria Constituição para prejudicar, como é o caso, a educação, que representa o lado mais fraco nessa queda de braço.

Agora, para contenção dos gastos públicos nos Três Poderes, ressaltando a ilha da fantasia chamada Brasília, inexiste política fiscal e nem arrocho nas despesas. Mas para zelar pelo fortalecimento estrutural da educação, pode-se inviabilizar recursos. Uma vergonha!

Júlio César Cardoso é bacharel em direito e servidor federal aposentado.