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Sonho de liberdade

Artigo escrito por João Alvarenga

02 de Julho de 2021 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
(Crédito: ILUSTRAÇÃO: LUITZ TERRA)

Você já pensou em viajar de motocicleta pelas estradas da Terra? Romanticamente, ir sem destino definido ou pressa de chegar. Romper com a rotina do trabalho e com os compromissos do sufocante cotidiano, para desfrutar de toda liberdade possível. Isso pode ser uma maravilha para quem não tem vínculos. Aliás, desde que Jack Kerouac, um dos ícones da Beat Generation, escreveu o sugestivo “Pé na estrada”, esse se tornou o sonho de muitos jovens da minha geração.

Afinal, a contracultura estava em alta, nos idos de 60, e romper com os padrões fazia parte do jogo. Mas, quem não deseja conhecer novos lugares, tomar banho de cachoeira ou acampar sob a luz das estrelas? Talvez, muitos. Porém, poucos, na verdade, têm coragem de se aventurar, porque nem tudo são flores, quando alguém decide perambular a esmo. Na certa, passará longe dos hotéis de luxo nem terá acesso à comidinha da mamãe.

O sorocabano Ednilson Ruiz Vieira da Maia, ou simplesmente, Beda Motero, encaixa-se nesse perfil. A bordo de sua inseparável Yamaha Crypton, (uma scooter de 115cc), percorre as estradas sul-americanas, com um único propósito: viver livremente. Quem leu a matéria sobre suas aventuras, ficou encantado com seu estilo de vida.

Inclusive, muitos leitores se recordaram do filme “Sem Destino”, uma referência do gênero ‘road movie’, dirigido por Dennis Hooper, no qual dois amigos, em suas Harley-Davidson, percorrem as estradas dos Estados Unidos em busca da tal felicidade.

Porém, essa utopia dá lugar às contradições de um país violento e preconceituoso. Mesmo assim, essa produção de 1969, sintetizou o delírio de uma juventude em ebulição e promoveu uma reflexão sobre escolhas pessoais. Com os clássicos de Bob Dylan e Jimi Hendrix na trilha, Hollywood criou uma narrativa que seduziu o público.

Para os que não viveram aqueles loucos anos sessenta, nem imaginam que esse filme fez muita gente pôr uma mochila nas costas e seguir em busca da suposta sociedade alternativa, como ela estivesse em alguma esquina do mundo.

(*) João Alvarenga: professor de Redação e cronista.