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Volkswagen Gol é quarentão

Ele foi concebido para substituir o Fusca, um dos carros mais vendidos do mundo
Volkswagen Gol é quarentão
O Volkswagen Gol foi o carro mais vendido no Brasil por quase três décadas. Crédito da foto: Divulgação

O Gol está se tornando um quarentão. O hatch lançado em 8 de maio de 1980 tinha uma tarefa para lá de importante no Brasil: substituir o Fusca, um dos carros mais emblemáticos do mundo. E vem cumprindo sua missão com louvor: foi o veículo mais vendido do País por 27 anos consecutivos.

Assumiu a liderança em 1987, com apenas sete anos de idade, e só foi tirado do topo do ranking em 2014. Ainda hoje, é o quinto veículo mais vendido do País e o primeiro da Volkswagen, à frente até do Polo.

Quem vê os louros obtidos ao longo dessas quatro décadas talvez não imagine o tropeços que esse Volkswagen deu antes de conseguir embalar. Na época do lançamento, o Gol chamou a atenção pelas linhas.

O estilo lembrava um pouco o do “irmão” Passat. O problema é que o motor remetia muito ao do Fusca.

De acordo com as premissas estabelecidas pela Volkswagen, o Gol deveria ser mais moderno, espaçoso e bonito que o Fiat 147. Além disso, teria de ser tão ou mais econômico que o rival. E tudo isso com um anêmico motor 1.300 refrigerado a ar!

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Os planos originais previam que o Gol entraria em campo com o motor do Passat, refrigerado a água. Mas duas razões adiaram essa estratégia.

Uma foi custo. Para poder brigar em preço com o rival da Fiat, ao menos na estreia o novo modelo deveria ter mecânica mais barata. Além disso, o Passat vendia bem e seria difícil abastecer de motores as duas linhas simultaneamente.

Como o motor saiu da traseira do Fusca para a frente do Gol, em uma área muito mais ventilada, foi possível dispensar o radiador de óleo e adotar uma nova ventoinha. Com essas e outras alterações, o boxer perdeu 14 kg de peso e ganhou 4 cv de potência, passando a 50 cv. Uma das curiosidades é que o distribuidor vinha protegido por um saquinho plástico, para evitar infiltração de água.

Volkswagen Gol é quarentão
O Gol “quadrado” das primeiras gerações. Crédito da foto: Divulgação

O desempenho do novato era melhor que o do veterano, embora não empolgasse muito. Isso foi dando sobrevida ao Fusca. Um sopro de ânimo surgiu no ano seguinte na linha Gol, com a chegada do motor 1600, ainda refrigerado a ar.

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As coisas só começaram a melhorar mesmo a partir de 1984. Foi quando a Volkswagen lançou a versão esportiva GT, que trazia o mesmo motor 1.8 refrigerado a água do Santana. No ano seguinte, quando finalmente o hatch recebeu o motor 1.6 do Passat e uma reestilização, que inclui a adoção de faróis maiores, as vendas dispararam.

Em 1989 foi a vez do Gol GTI, primeiro carro do Brasil com injeção eletrônica de combustível. Com motor 2.0 de 120 cv, era o sonho de consumo de todo brasileiro fã de carro.

‘Bolinha’

A segunda geração surgiu apenas em 1994, após 14 anos do lançamento do hatch. Com linhas mais arredondadas, ficou popularmente conhecida como Gol ‘bolinha‘. A nova versão GTI, de 1995, tinha motor 2.0 16V de 145 cv importado da Alemanha. Por causa do coletor de admissão invertido, havia um calombo no capô

‘G3’

Embora seja chamado de ‘G3‘, o modelo de 1999 não é a terceira geração, mas uma reestilização que incluiu linhas mais retas, painel renovado e, pela primeira vez, carroceria de quatro portas. Air bags e ABS passaram a vir como opcionais. Outra novidade foi o motor 1.0 turbo, que chegou em 2000, com 112 cv.

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‘G4’

A quarta reestilização, de 2006, trouxe de volta as linhas mais sinuosas. Com o fim do Fusca, o Gol perdeu as versões sofisticadas e assumiu o papel de carro de entrada da Volkswagen no País, abrindo espaço para o Fox subir na vida.

‘G5’

A mudança mais radical veio em 2008, com a chegada da terceira geração, cuja plataforma é derivada da utilizada no Polo. O motor passou da posição longitudinal para a transversal, e a cabine melhorou muito.

Desde então, o Gol recebeu três leves reestilizações (em 2012, 2016 e 2018) e ganhou novo fôlego com o câmbio automático, que passou a equipar o modelo no fim de 2018. (Hairton Ponciano – Estadão Conteúdo)

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