Fernando Calmon Motor

Curiosidades do VW Gol quarentão

Curiosidades do VW Gol quarentão
O primeiro VW Gol usava motor 1,3 L do Fusca. Crédito da foto: Divulgação / VW

Fernando Calmon

Lançado em 8 de maio de 1980, o Gol completa 40 anos de produção e tem uma coleção de títulos ao longo destas quatro décadas. Foram produzidas 8,5 milhões de unidades, das quais 1,5 milhão exportadas, além de manter a liderança no Brasil por 27 anos seguidos (1987 a 2013), contando o primeiro e o último ano.

Destaco duas curiosidades em sua longa história. O Gol foi lançado com motor longitudinal de 1,3 L do Fusca com um só carburador e estepe no cofre do motor. Ao chegar o motor 1,6 L de dois carburadores, o estepe passou para o porta-malas por falta de espaço. Mas a concessionária Condor, de São Paulo, teve a ideia de recolocar o estepe no cofre do motor invertendo a posição de montagem. Pouco tempo depois a própria fábrica adotou a solução.

O Gol nasceu para usar motores longitudinais e o capô alto atrapalhava a visibilidade para motoristas de menor estatura. Por isso a fábrica colocou uma regulagem básica de altura do banco, algo que só existia em carros mais caros na época. Na quinta geração, em 2008, o motor passou a ser transversal, a visibilidade melhorou, mas manteve a regulagem do banco.

Novo rodízio não deu certo

Durou apenas uma semana a experiência da Prefeitura de São Paulo em impor um rodízio radical de veículos na cidade. O sistema previa que os finais de placas ímpares só poderiam circular nos dias ímpares e os finais de placas pares, nos dias pares. A ideia era retirar 50% dos veículos leves de circulação numa tentativa de aumentar o isolamento social para ajudar a frear os casos de Covid-19 na cidade e utilizar mais o transporte coletivo. Táxis e profissionais da saúde eram exceção, embora estes fossem obrigados a redigir um pedido de isenção em um momento que estavam sobrecarregados de trabalho.

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A medida tinha alguma lógica (até a Anfavea concordou), mas partiu de premissas erradas. Cerca de 40% de todas as viagens na capital paulista são feitas por automóveis normalmente, incluindo táxis e aplicativos. Nesse período de pandemia a circulação já havia caído e depois aumentou porque as pessoas precisam trabalhar. Porém, com 50% da frota de carros fora das ruas o transporte coletivo ficou sobrecarregado. As aglomerações nos terminais aumentaram e também no interior de ônibus, trens e metrô. Mesmo usando máscaras, a proximidade entre os usuários piorou.

Ônibus mais modernos com ar-condicionado têm sistemas eficientes de renovação do ar interno, mas isso não é garantia de não contaminação pelo novo coronavírus. Além disso, corrimões e alças só podem ser desinfetados no final do dia.

O único ponto positivo desse imbróglio foi o reconhecimento de que a iniciativa não deu certo e a sua revogação.

Influência da pandemia na mobilidade urbana

Um dos aspectos mais discutidos no mundo hoje é a mobilidade urbana. A brasileira Bright Consulting preparou um relatório aprofundado sobre os Novos Serviços de Mobilidade (NSM), por empresas de aplicativos e de compartilhamento em geral, para os próximos anos no mundo e no Brasil, incluindo aspectos em que o novo coronavírus terá influência.

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Obtive acesso com exclusividade às conclusões do estudo, aqui resumidas.

O crescimento dos NSM estará concentrado em áreas urbanas mais densas em razão dos desafios da mobilidade e de oferecer variedade de opções. Deslocamentos de ponta a ponta, vinculando diferentes modos de transporte e fazendo melhor uso de serviços existentes em determinada área, são uma solução parcial no curto prazo. Isso porque um grande número de pessoas não tem acesso a esses serviços.

Os fabricantes de carros veem boa oportunidade de transformar os NSM em clientes confiáveis para seus negócios. Além disso, as vendas para frotistas (em especial locadoras) vêm compensando em parte a menor procura do comprador tradicional (pessoa física).

Frotistas tendem a substituir veículos em ritmo mais acelerado e haverá concorrência entre eles para cativar clientes com modelos mais novos e atraentes. Mas o impacto será relativamente pequeno nas vendas nos próximos cinco anos.

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Neste momento cresce a necessidade de se aprofundar sobre transformações digitais. As empresas terão que ser mais ágeis e desenvolver estratégias para entender seus usuários.
Municípios devem procurar uma sinergia entre transporte público e automóveis em busca da mobilidade mais eficiente.

Muitas pessoas mudarão para um modal que reduza risco de infecção, mas dependerá de seus hábitos pré-Covid-19. Quem possui veículo próprio irá usá-lo com maior frequência; no lugar do transporte público os que puderem andarão de bicicleta, patinete ou mesmo a pé.

A pandemia trouxe mudanças como o trabalho remoto, provocando diminuição da quilometragem percorrida por veículos. Impactos em longo prazo no transporte público e mobilidade compartilhada não podem ser previstos agora.

Estimativa do balanço entre veículos deixados de serem adquiridos pelo consumidor final versus veículos adquiridos para NSM podem gerar uma perda de 2% a 4% nas vendas totais em 2025.

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