Editorial
Mercado de trabalho em alta
O importante, nessa história toda, é saber que o brasileiro, e principalmente o sorocabano, adentrou 2023 com brilho nos olhos
Os números finais da geração de empregos no Brasil, em 2022, ainda não foram totalizados. O que se sabe, com certeza, é que teremos uma das menores taxas de desemprego já apuradas. Os últimos números divulgados já mostravam isso. A taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,3% em outubro, atingindo o menor nível desde 2015, apontam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Considerando apenas os trimestres terminados em outubro, trata-se da menor taxa desde 2014.
Essa mudança no ambiente de trabalho, com a geração de um número cada vez maior de vagas, pode ser facilmente confirmada nas ruas de Sorocaba. Como mostrou reportagem publicada na edição de 3 de janeiro do jornal Cruzeiro do Sul, a busca por um trabalho com carteira assinada começou logo no primeiro dia útil do ano. São pessoas que perderam o emprego no ano passado e que agora buscam uma recolocação profissional. Um outro grupo quer aproveitar o momento de aquecimento do mercado para voltar a exercer algum tipo de atividade remunerada.
Segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur), da Prefeitura de Sorocaba, só na segunda-feira 150 atendimentos presenciais foram feitos no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT). Essa procura pelo PAT é motivada pelo ótimo desempenho do órgão no ano de 2022. No total, foram 6.349 pessoas novamente inseridas no mercado de trabalho ao longo do ano passado, contra 4.175 recolocações em 2021, um crescimento de 52%.
O número mostra tanto a efetividade do serviço como também a confiança das empresas em utilizar o sistema para oferecer as vagas disponíveis em seus quadros. De acordo com os dados do próprio PAT, as vagas com maior número de ofertas e contratações foram: auxiliar de limpeza, auxiliar de cozinha, vendas em geral, repositor de mercadorias, operador de caixa, auxiliar de produção em geral, pedreiro e servente de obras.
Os números de geração de emprego no Brasil, em 2022, foram excelentes. O nível da ocupação -- ou seja, a porcentagem de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar -- chegou a 57%. Já a taxa de subutilização caiu para 19,5%. A população subutilizada somou 22,7 milhões de pessoas, 7,2 milhões a menos que em outubro de 2021, o que corresponde a uma queda de 24% no período.
De acordo com o IBGE, o número de empregados com carteira de trabalho assinada manteve trajetória de crescimento praticamente o ano todo. Na comparação com o trimestre terminado em outubro de 2021, o total de trabalhadores com carteira assinada (nos setores privado e público, incluindo os trabalhadores domésticos) passou de 36,4 milhões para 39,4 milhões, um aumento de 8,3%, o que corresponde a 3 milhões de pessoas a mais empregadas formalmente.
Com menos gente disponível no mercado, a busca por bons profissionais fica mais acirrada e o valor das ofertas salariais tende a aumentar. Nesse cenário, as empresas precisam buscar trabalhadores já empregados ou oferecer promoções e treinamento dentro da própria estrutura, o que eleva os ganhos de quem é selecionado. Além disso, a movimentação abre outras oportunidades para quem ainda está fora do mercado.
O IBGE destacou, em seu último levantamento, que o rendimento real habitual dos trabalhadores cresceu, em média, 4,7% na comparação entre outubro de 2022 e outubro de 2021. As atividades econômicas que registraram maior crescimento do rendimento médio habitual foram as de transporte e armazenagem, seguidas pelo agronegócio e pela construção civil.
O importante, nessa história toda, é saber que o brasileiro, e principalmente o sorocabano, adentrou 2023 com brilho nos olhos de que vai ser possível arrumar um novo emprego e melhorar de vida. Que todos aqueles que buscam dinheiro digno sejam afortunados e felizes neste ano.