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Artistas sorocabanos são destaque no Prêmio de Música

Entre as 568 canções, vindas de 13 estados, os artistas locais lideraram a premiação
Premiação, que teve o grupo sorocabano X4 Hip Hop em primeiro lugar, aconteceu no domingo. Crédito da foto: Paulo Queiroz / Divulgação

Artistas locais dominaram a premiação da 11º Prêmio Sorocaba de Música – Festival Nacional de MPB Livre, cuja final ocorreu na noite de domingo (5), no Teatro Municipal Teotônio Vilela (TMTV). O primeiro lugar ficou com “Cabeça feita”, do grupo sorocabano X4 Hip Hop, seguida de “Se eu nascer de novo”, do também sorocabano Matheus Crippa em parceria com o carioca Alexandre Lemos. A terceira colocação ficou com a canção “Zumbi, o rei dos Palmares vive”, composta por alunos de Centro Cultural Quilombinho de Sorocaba e o professor Flavinho Batucada.

Pela primeira vez, canções de compositores da cidade ocuparam as três primeiras posições do “pódio” do certame que, nesta edição, recebeu 568 músicas inscritas vindas de 13 estados brasileiros. “Multiser”, do mineiro João Ferreira levou o prêmio de Melhor Arranjo; a cantora paulistana Bruna Moraes, que defendeu a canção “Como teu coração”, de sua própria autoria, conquistou o prêmio de Melhor Intrérprete. O curitibano Dú Gomide, compositor da finalista “Tombo”, foi premiado como Melhor Instrumentista.

Primeira vez na história

O 2º lugar foi de ‘Se eu nascer de novo’, de Matheus Crippa e Alexandre Lemos. Crédito da foto: Paulo Queiroz / Divulgação

Esta também foi a primeira vez na história do Prêmio Sorocaba de Música que um grupo de rap conquista o prêmio principal do certame. “Para a gente, essa vitória representa a democratização da música. A abertura para vários estilos […] Acredito que o rap é uma continuidade do que foi a MPB no período da ditadura militar. É uma música popular, sim, que relata a realidade do Brasil como a MPB fazia durante os Anos de Chumbo”, comenta o MC Breno A, integrante do X4 Hip Hop. Em 2015, a cantora e compositora sorocabana Paula Cavalciuck venceu a 10 ª edição do certame, tendo como convidada a rapper Fernanda Teka na música “O colecionador de opiniões”.

Com arranjos dançantes, que passeiam pelo reggae e rock, executados por uma banda e com participação especial do cantor Júlio Moura, “Cabeça feita” traz letra com mensagem positiva, na qual defende que “malandragem é viver”. A premiação coroa a trajetória do grupo, um dos mais importantes e antigos do rap de Sorocaba, formado em 1996, e que até hoje mantém a mesma formação. Além de Breno A, o grupo é formado por Mano B, Eggs Greggio e Dj Pitta. A música premiada fará parte do próximo EP (extended play) do quarteto, com lançamento previsto para dezembro.

Zumbi

Alunos do Quilombinho e o professor Flavinho Batucada ficaram em terceiro lugar. Crédito da foto: Paulo Queiroz / Divulgação

Um dos momentos mais marcantes do festival foi a apresentação da canção “Zumbi, o rei dos Palmares vive”, um ijexá composto e apresentado por crianças e adolescentes atendidos pelo Centro Cultural Quilombinho, em parceira com o professor Flavinho Batucada, que conquistou o terceiro lugar.

“O prêmio e o protagonismo são deles [alunos]. Eu apenas ajudei a montar o quebra-cabeça”, comenta Flavinho.

Arte-educador da instituição, o músico conta que a canção foi resultado de uma atividade, até então inédita, dentro de uma aula sobre história e empoderamento negro. Após a leitura de textos sobre a história de Zumbi dos Palmares, cerca de 50 alunos, de 8 a 16 anos, sugeriram frases inspiradas na trajetória de um dos pioneiros na resistência contra a escravidão no Brasil. “[Ser selecionado no festival, ir para a final e pegar o terceiro lugar] foi muito além de todas as nossas expectativas. Era para ser apenas uma atividade didática para que eles pudessem conhecer melhor a história”, comenta Flavinho.

Ele destaca que, a partir de agora, a metodologia criativa será replicada nos estudos de outros episódios da história do Brasil como a Revolta da Chibata liderada em 1910 por João Cândido. Flavinho afirma que o prêmio em dinheiro, de R$ 2 mil, será integralmente revertido na compra de mantimentos para o Centro Cultural Quilombinho que, segundo ele, atualmente passa por dificuldades financeiras.

Bom público

A 11ª edição do Prêmio Sorocaba de Música – Festival Nacional de MPB Livre ocorreu entre sexta e domingo no TMTV com bom público nas três noites. A plateia ficou lotada na grande final do domingo, que contou ainda com pocketshow do cantor e compositor Dani Black.

Com júri totalmente reformulado, o certame deste ano marcou a retomada do Festival ao calendário de Sorocaba, após o hiato de dois anos. De acordo com Felipe Caramez, um dos organizadores do festival, o fato de três sorocabanos terem conquistado as primeiras posições comprova o bom momento da produção de música autoral na cidade.

“Isso mostra que a música feita aqui é de alta qualidade e está entre as melhores do Brasil”, avaliou.

De acordo com o corpo de jurados, presidido pelo maestro Jonicler Real, a grande característica dessa edição do Prêmio Sorocaba de Música foi a diversidade de estilos. “Achei interessante esse ecletismo. Ouvimos rock, rap, samba, música caipira, baladas, ritmos africanos. Eu nunca tinha participado de um júri como esse e fiquei muito feliz com o que ouvi aqui”, comentou o guitarrista e produtor musical Mario Bros.

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