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OMS: Queda de vacinação durante pandemia coloca 80 milhões de crianças em risco

Medidas de lockdown e quarentena afetaram o sistema de vacinação em pelo menos 68 países
Você já se vacinou contra a gripe este ano?
Medidas de lockdown e quarentena afetaram sistema de vacinação em pelo menos 68 países. Crédito da foto: Vinícius Fonseca / Arquivo JCS (12/5/2020)

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) alertaram nesta quarta-feira (15) para a queda na imunização de crianças por conta dos impactos da pandemia do novo coronavírus na distribuição de vacinas. Medidas de lockdown e quarentena afetaram o sistema de vacinação em pelo menos 68 países, colocando aproximadamente 80 milhões de bebês menores de 1 ano em risco de contrair doenças que podem ser prevenidas, segundo pesquisa realizada pelas duas organizações com 82 países.

De 61 países que informaram sobre a situação atual, 85% indicou que o nível de vacinação foi mais baixo em maio de 2020 do quem janeiro e fevereiro deste ano. Pelo menos 30 países indicaram que campanhas contra o sarampo estavam ou estão ameaçadas, o que pode resultar em surtos da doença em 2020 e anos seguintes. O levantamento foi realizado também pela Aliança de Vacinas (Gavi), em colaboração com o Instituto de Vacinação Sabin e outras entidades.

Dados preliminares dos quatro primeiros meses de 2020 apontam uma queda substancial no número de crianças que completaram as três doses da tríplice bacteriana – contra difteria, tétano e coqueluche. Essa é a primeira vez em 28 anos que o mundo pode ter uma redução na cobertura da tríplice. Antes da pandemia, a taxa de alcance dessa e da vacina contra sarampo havia estabilizado em 85% globalmente.

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A situação, segundo a OMS e a Unicef, é especialmente preocupante na América Latina, onde cobertura da vacinação historicamente alta tem sofrido queda na última década. No Brasil, Bolívia, Haiti e Venezuela, a imunização caiu pelo menos 14 pontos percentuais desde 2010. Somado a isso, esses países também estão enfrentando impactos moderados ou severos causados pelo coronavírus na distribuição de vacinas.

As razões para o impactos nesse serviço variam. Mesmo quando não há interrupção no oferecimento das vacinas, a população fica impedida ao acesso por relutância em sair de casa, paradas nos serviços de transporte público ou medo de exposição a quem está infectado com covid-19. Muitos profissionais de saúde também não estão disponíveis por terem sido realocados para combate ao coronavírus ou por falta de equipamento de proteção.

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“Precisamos retomar urgentemente os programas vacinação. Não dá para trocar uma crise de saúde por outra”, diz a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore. (Estadão Conteúdo)

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