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Tabagismo provoca cerca de 50 doenças

29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo e médicos alertam sobre os males do tabaco
Tabagismo provoca cerca de 50 doenças
Pelo menos 23 pessoas morrem, por hora, no Brasil, em decorrência das doenças causadas pelo cigarro. Crédito da foto: Marcelo Camargo / Arquivo Agência Brasil

O vício em cigarro é questão de saúde pública e causa preocupação, não apenas no meio médico, mas em todas as áreas da sociedade. O número de mortes por males causados pelas substâncias tóxicas e cancerígenas presentes no cigarro ainda é alarmante. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tabagismo como a principal causa de morte evitável no mundo, sabendo que o vício é o responsável pelo desenvolvimento potencial de cerca de 50 doenças humanas. E, entre estas, incluem-se, além de 14 tipos diferentes de câncer, doenças pulmonares graves. É responsável por 85% das mortes por doença pulmonar; doença das coronárias, como infarto do miocárdio e angina de peito; doenças vasculares, incluindo derrame cerebral e várias outras. Pelo menos 23 pessoas morrem, por hora, no Brasil, em decorrência dessas doenças causadas pelo tabagismo. No mundo, são mais de 7 milhões de pessoas mortas, por ano”, adverte o médico oncologista Gilson Delgado, diretor do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).

Além de prejudicar o próprio fumante, a fumaça do cigarro também é extremamente prejudicial à saúde de quem a inala, os chamados fumantes passivos. “Todos os tabagistas em uso crônico desenvolverão algum tipo de doença pulmonar e uma em cada 300 pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica desenvolverá câncer de pulmão, induzido pelos cancerígenos do tabaco.

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Fumantes passivos

Fumantes passivos não inalam apenas fumaça, mas fumaça proveniente da queima de produtos do tabaco, que são cancerígenos e isso aumenta em 20% os riscos para o desenvolvimento de doença pulmonar e de câncer de pulmão. “A fumaça dos cigarros possui mais de 4.700 substâncias tóxicas, com efeitos prejudiciais diversos sobre o organismo humano. Pelo menos, 70 delas são de potencial cancerígeno”, alerta o oncologista.

O especialista enfatiza, ainda, o risco do aparecimento de doenças advindas do consumo de tabaco, mesmo após a interrupção do seu uso. Como os efeitos sobre as células normais podem ser mantidos por dezenas de anos, aqueles que abandonam o tabagismo ainda mantêm risco maior do que as pessoas que nunca fumaram.

Cigarro e Covid

“O tabagismo é doença crônica e fator de risco importante para doenças cardiovasculares e pulmonares, com destaque especial à patogenicidade (capacidade do vírus em se instalar em quem já está mais vulnerável) do Sars-coV-2, que é o responsável pela pandemia de Covid-19 que enfrentamos nos últimos meses”, ressalta a médica Monique Moron Munhoz, cirurgiã vascular e endovascular que atende no Hospital Evangélico de Sorocaba (HES).

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Isso significa que fumar durante a pandemia oferece ainda mais riscos, tanto para quem fuma, quanto para os fumantes passivos, que são aqueles que inalam a fumaça produzida pelo cigarro. “Durante o ato de fumar, a pessoa está sem máscara de proteção, levando as mãos ricas em bactérias, vírus e fungos aos lábios, tendo contato com gotículas de saliva, promovendo aerossolização e pulverizando o vírus no ambiente em que se encontra. Devido ao isolamento domiciliar promovido pela quarentena, com casas repletas de familiares tendo contato com esse fumante, aumentam-se os índices de propagação do vírus e as consequências geradas pelo fumo passivo”, alerta a médica.

As pessoas que convivem com os fumantes igualmente devem se manter atentas aos sinais de possíveis problemas e procurar ajuda médica, assim que notarem algo fora do comum. “O fumante passivo pode apresentar tosse, irritação nos olhos, dor de cabeça, coriza e agravamento de doenças respiratórias. Com o tempo de exposição, pode desenvolver asma e outras doenças crônicas pulmonares”, pontua a médica pneumologista Julia Rezende Duek, que também atende no HES.

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É unanimidade entre os especialistas que as campanhas de conscientização contra o fumo fazem muita diferença. “No Brasil, vemos a divulgação de imagens de casos reais dos efeitos nocivos do fumo no corpo humano estampadas em caixas de cigarros, além da divulgação ampla para a população do Disque Saúde 136, que é um espaço com orientações sobre como parar de fumar, encaminhamento para tratamento e divulgação de legislação referente ao tabagismo e ao controle do tabaco”, salienta a médica Monique.

O médico cardiologista Matheus Pires Siqueira reforça a importância das mensagens de conscientização e orienta que os fumantes sempre busquem ajuda profissional especializada, ao longo do processo para deixar o vício.

A pneumologista Julia alerta para o cuidado com a saúde emocional, visto que deixar de fumar pode desencadear ansiedade e outros sintomas. “O tabagismo é doença em que podem se manifestar os sintomas de abstinência e o fato de apenas pensar em ficar sem o cigarro pode levar a pessoa a apresentar sinais de ansiedade, irritabilidade, estresse, dentre outros problemas. A partir do momento que o fumante decide parar, ele deve buscar por distrações e novos hobbies. É um longo caminho, mas é sempre possível deixar o vício”, conclui. (Da Redação)

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