Cirurgia plástica

Explante mamário: é possível retirar o silicone?

O implante mamário é a cirurgia plástica mais realizada no Brasil, liderando o ranking com 18,8%
Há outra questão levando muitos pacientes a se submeter a retirada da prótese de silicone, a chamada Doença do Silicone. Crédito da foto: Divulgação (28/11/2019)

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o implante mamário é a cirurgia plástica mais realizada no Brasil, liderando o ranking com 18,8%. Apesar dos números só crescerem, algumas pessoas acabam se arrependendo de terem se submetido ao procedimento, chegando ao ponto de optarem pela retirada das próteses de silicone.

“Se a paciente se arrepender de colocar uma prótese é possível retirá-la, ao contrário do que muitos pensam. A grande maioria acredita que uma vez colocado o silicone, não existe a possibilidade da retirada da prótese. Ou, ainda, acredita que a cirurgia de retirada poderá deixar danos, além de comprometer a aparência dos seios”, explica Arthur Barros, cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, do American Society of Plastic Surgery e da International Society of Plastic Surgery.

A cirurgia é realizada, na maioria das vezes, sob anestesia geral. Já a cicatriz dependerá do grau de flacidez resultante da retirada da prótese, podendo ser apenas ao redor das aréolas ou ao redor das aréolas mais um traço vertical e, em alguns casos, pode chegar ao modelo de um “T” invertido, com a cicatriz também ao redor das aréolas. No entanto, a cirurgia de explante do silicone não se trata, apenas, em remover o produto. Em muitos casos, é necessário outro procedimento, o de restauração, a fim de corrigir a flacidez deixada pelo tamanho das próteses nos seios.

“As pacientes que têm próteses muito grandes, ao retirarem, terão uma flacidez maior e geralmente uma pele mais fina, necessitando de retirada grande de pele de outras regiões do corpo para resolver o problema o que, por outro lado, pode resultar em um volume muito pequeno das mamas, podendo prejudicar suas formas”, alerta o especialista.

Mas é possível corrigir o volume através do enxerto, procedimento feito quando o cirurgião plástico retira gordura de outros locais do corpo para implantar nas mamas.

Doença do Silicone

Além do arrependimento da cirurgia de implante mamário, há outra questão levando muitos pacientes a se submeter a retirada da prótese de silicone, a chamada Doença do Silicone. A condição apresenta sintomas como dor no peito, cansaço, calafrios, perda de cabelo, dor crônica, fotossensibilidade e distúrbios do sono. Em cerca de 50% dos casos, a melhora – temporária ou permanente – acontece somente após a remoção das próteses.

Parece tratar-se de doença autoimune que foi agrupada como uma só síndrome, a síndrome autoimune/inflamatória induzida por adjuvantes, com mnemônico, ASIA, em inglês. Esta doença altera o sistema de defesa do organismo, a partir do estímulo de um gatilho ou desencadeante, pode causar reações inflamatórias contra o próprio organismo.

Como adjuvantes ou desencadeantes, podemos entender o conjunto de fatores ambientais reconhecido há várias décadas como indutores de autoimunidade em diferentes modelos animais, utilizados na indústria farmacêutica para aumentar a antigenicidade e baratear a produção de vacinas e que, como já é de nosso conhecimento, podem contribuir como gatilho para o desenvolvimento de doenças inflamatórias ou autoimunes em humanos geneticamente suscetíveis. Neste grande grupo – fragmentos infecciosos, hormônios, alumínio, silicone – recentemente vem se destacando o escaleno (usado em hidratantes), óleo obtido na natureza de tecido de tubarão e um dos principais adjuvantes das vacinas anti-influenza disponíveis no país.

Nos anos 90, o silicone era considerado um material inerte e, portanto, incapaz de desencadear fenômenos imunes. Recentes estudos múltiplos comparados, estimam o risco de desenvolver doenças autoimunes após implante de silicone, em apenas 0,8% dos casos, número muito próximo ao da população geral. Entretanto, esses estudos admitiam em seus conjuntos de casos, apenas pacientes que fechavam critérios de doenças autoimunes conhecidas. Não consideraram pacientes com manifestações menos específicas, tais como artralgias, mialgias, ou até mesmo manifestações neurológicas, mas que não se encaixavam em alguma condição conhecida.

Portanto, não é necessário pânico!  Novos estudos serão necessários para entender melhor esta doença autoimune que apesar, de rara, pode estar relacionada a pessoas com predisposição genética que a partir de um gatilho pode ser desencadeada. (JF Gestão de Conteúdo)

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