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França decreta toque de recolher

Medida é tomada em quatro cidades após protestos violentos no fim de semana

19 de Outubro de 2026 às 20:48
AFP
Estudantes enfrentam policiais nas ruas de Paris
Estudantes enfrentam policiais nas ruas de Paris (Crédito: MATTHIEU RONDEL / AFP)

Os moradores de quatro cidades do norte da França não poderão circular pelas ruas na noite de hoje (20) devido a toques de recolher decretados para pôr fim aos confrontos e saques.

Lille, Douai, Wattignies e Denain são as primeiras quatro cidades onde foi anunciada a aplicação de um toque de recolher entre as 20h e as 6h, segundo o gabinete do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu.

O governo está sob pressão para pôr fim aos confrontos e saques registrados desde o fim de semana, após um grande protesto convocado no sábado (17) contra o alto custo de vida.

As cenas de caos nas principais cidades da França, como as centenas de lojas saqueadas e o incêndio da prefeitura de Limoges, repercutiram em todo o mundo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu ontem (19) falhas na gestão policial dos distúrbios e pediu "novos modos operacionais" para "acabar com os fenômenos de barricadas e saques".

Após uma reunião de crise, seu primeiro-ministro descartou, por enquanto, decretar estado de emergência, embora tenha admitido essa possibilidade "se necessário", e defendeu "toques de recolher parciais".

Em Denain, a medida será aplicada em determinadas áreas do centro da cidade e apenas a menores de 18 anos desacompanhados.

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Bélgica e Itália

Cidades da Bélgica e da Itália também registraram, no fim de semana, protestos contra o encarecimento do custo de vida, que terminaram em confrontos entre a polícia e manifestantes, além de saques. Esses atos de violência "são inaceitáveis", ressaltou o porta-voz da Comissão Europeia, Markus Lammert, que pediu à França que "proteja" o direito de manifestação pacífica.

A seis meses da eleição presidencial, na qual Macron não poderá ser candidato, as cenas do fim de semana deixaram o governo contra a parede, acusado de não ter antecipado o risco de distúrbios, nem de responder às reivindicações dos manifestantes.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu uma perda de controle da polícia em "algumas cidades" durante os protestos, que resultaram em mais de 2.500 detenções e quase mil agentes feridos.

Como prova de que a situação continua tensa, manifestantes bloquearam ontem o acesso ao Museu do Louvre. (AFP)