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Internacional

Protestos na França deixam mortos, feridos e mais de 2,3 mil detidos

Manifestações contra o custo de vida e as condições da educação terminaram em confrontos, saques e incêndios em diferentes cidades; governo anunciou medidas para conter a violência

19 de Outubro de 2026 às 10:17
João Frizo [email protected]
Uma pessoa morreu durante os acontecimentos
Uma pessoa morreu durante os acontecimentos (Crédito: Matthieu RONDEL/AFP)

Os protestos realizados em diferentes cidades da França no sábado (17) e no domingo (18) resultaram em confrontos entre manifestantes e forças de segurança, incêndios, saques a estabelecimentos comerciais e danos a prédios públicos. Até esta segunda-feira (19), mais de 2,3 mil pessoas haviam sido detidas, segundo o ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin. Quase mil policiais e integrantes da gendarmaria ficaram feridos, de acordo com o Ministério do Interior. Uma pessoa morreu durante os acontecimentos.

As manifestações tiveram início com mobilizações de estudantes contra as condições de ensino, incluindo salas de aula superlotadas, falta de professores e problemas de infraestrutura nas escolas. Os atos se ampliaram e passaram a reunir também pessoas insatisfeitas com o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos.

No sábado, as mobilizações ocorreram em diversas cidades, entre elas Paris, Lyon, Marselha, Bordeaux e Limoges. Embora parte dos atos tenha transcorrido pacificamente, grupos de manifestantes entraram em confronto com a polícia. Houve registros de veículos incendiados, lojas saqueadas e ataques a prédios públicos.

Em Limoges, o incêndio atingiu a prefeitura histórica, construída em 1883. Em Lyon e Marselha, edifícios e estabelecimentos comerciais também foram danificados. Em Paris, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar manifestantes durante os confrontos.

Nesta segunda-feira, estudantes bloquearam as entradas do Museu do Louvre, em Paris, em apoio ao movimento estudantil e em protesto contra a atuação policial. A mobilização impediu a abertura do museu no horário previsto. A direção informou que o local foi utilizado pelos manifestantes para dar visibilidade ao movimento.

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Resposta do governo

O presidente da França, Emmanuel Macron, rejeitou o pedido de demissão do ministro do Interior, Laurent Nuñez. O ministro havia oferecido deixar o cargo após os episódios de violência e reconheceu falhas no planejamento e na mobilização das forças de segurança.

Macron solicitou a revisão dos procedimentos de segurança e maior transparência sobre as falhas de planejamento e inteligência que antecederam os confrontos. Segundo Nuñez, cerca de 60 mil agentes foram mobilizados em todo o país no sábado.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu aos prefeitos que avaliem a adoção de medidas localizadas, incluindo restrições à circulação durante a noite, nas áreas afetadas pelos distúrbios. O governo também anunciou apoio financeiro para a reconstrução de áreas danificadas, como a região da prefeitura histórica de Limoges.

Cenário político

O movimento reúne reivindicações relacionadas à educação, aos salários, às aposentadorias e ao custo de vida. As manifestações estudantis, iniciadas semanas antes, ganharam dimensão nacional com a adesão de outros grupos sociais e de organizações sindicais.

A crise ocorre meses antes das eleições presidenciais francesas previstas para 2027. Os episódios de violência ampliaram as críticas à atuação do governo e à preparação das forças de segurança. Autoridades locais de grandes cidades, como Paris, Marselha e Lyon, questionaram a resposta do governo nacional aos distúrbios.

As autoridades francesas continuam acompanhando os desdobramentos das manifestações, enquanto investigações apuram os ataques e os danos registrados durante o fim de semana.