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Mar Mediterrâneo

Entrada de 60 mil migrantes emenclave espanhol expõe crise migratória

Muitos chegaram nadando; 34 pessoas morreram. Maior parte, 48 mil, foi levada de volta ao Marrocos

31 de Julho de 2026 às 21:25
AFP
Invasão de milhares de pessoas ao território da Espanha no norte da África mobilizou forças policiais e causou reação imediata de paises da Europa
Invasão de milhares de pessoas ao território da Espanha no norte da África mobilizou forças policiais e causou reação imediata de paises da Europa (Crédito: ABDEL MAJID BZIOUAT / AFP )

Quase 60 mil pessoas entraram em Ceuta por mar e por terra a partir do Marrocos, uma onda que a Espanha classificou como "ataque à integridade territorial" e provocou uma crise na União Europeia.

Ao menos 34 pessoas morreram na tentativa de chegar ao enclave, segundo o governo local.

A cidade autônoma espanhola, com cerca de 84 mil habitantes, vive uma de suas piores crises migratórias dos últimos anos com a chegada, em apenas algumas horas, de dezenas de milhares de pessoas, em sua maioria homens jovens e adolescentes, a nado, mas também saltando as cercas fronteiriças.

Países europeus reagiram com firmeza à repentina crise. A Itália suspendeu a livre circulação com Espanha.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, qualificou as imagens como "terríveis". "Estaremos assim dentro de três anos se o lado errado vencer", declarou à Fox News em referência às eleições de meio de mandato de novembro, para as quais os democratas partem com vantagem em algumas pesquisas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, ofereceu ajuda à Espanha, enquanto seu ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou o reforço da fronteira franco-espanhola.

Segundo dados do Ministério do Interior espanhol, as chegadas em massa começaram na madrugada de quinta-feira (30). Ontem (31), cerca de 48 mil pessoas já haviam retornado ao Marrocos, segundo a mesma fonte.

Nas ruas de Ceuta, um território espanhol de 18,5 km² no noroeste da África, comércios foram fechados, e a confederação empresarial local recomendou manter desta forma "até que a segurança esteja garantida".

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, qualificou o episódio como um "ataque à integridade territorial" e acusou as "máfias de traficantes" de serem responsáveis por uma "leitura oportunista" de uma recente sentença judicial.

Trata-se da decisão do Tribunal Supremo espanhol, de 8 de julho, que estabelece que as chamadas "devoluciones em caliente" (retorno imediato de migrantes sem procedimento administrativo de expulsão) não podem ser aplicadas às chegadas por mar, apenas àquelas em que se salta a cerca.

Em Castillejos, cidade muito próxima a Ceuta, o marroquino Abdelhakim contou ter caminhado 14 km pelas montanhas para chegar ao território espanhol, mas não conseguiu entrar.

"Disseram para passarmos pelo mar. Mas eu me vi completamente submerso e vi dois jovens (...) morrerem diante dos meus olhos", disse. "Então voltei atrás e me lembrei que tenho dois filhos". (AFP)

 

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