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Clima

Incêndios florestais se propagam e Europa entra em alerta

29 de Julho de 2026 às 21:54
AFP


Fogo atingiu grandes regiões da Espanha 
e destruiu moradias
Fogo atingiu grandes regiões da Espanha e destruiu moradias (Crédito: PIERRE-PHILIPPE MARCOU / AFP)

Milhares de pessoas que tiveram de sair de suas casas por causa dos megaincêndios que atingiram a Espanha e a França começaram a voltar para casa ontem (29), mas o calor e os ventos dificultam o trabalho dos bombeiros que combatem as chamas nos arredores de Bordeaux, na França.

Embora a atenção esteja atualmente voltada para o oeste da Europa, a União Europeia alertou nesta semana que as condições favoráveis à ocorrência de incêndios devem se estender para o centro do continente nos próximos dias.

As equipes de emergência combatiam ontem um incêndio na ilha grega de Paros, enquanto dois bombeiros morreram lutando contra as chamas na ilha de Creta, no sul da Grécia, e um terceiro morreu perto do porto de Gítio, na região do Peloponeso.

Na vizinha Turquia, os incêndios obrigaram a evacuação de centenas de pessoas nas praias turísticas do sul do país. Mais de 3 mil bombeiros foram mobilizados para combater "90 focos" de incêndio, informou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Após dias de tensão provocados pelos incêndios na Espanha, as autoridades suspenderam a ordem de evacuação em todos os municípios da província de Ávila, perto de Madri, onde teve início, na semana passada, o "maior incêndio florestal da história recente" do país.

Moradores e turistas retirados das áreas afetadas voltavam às suas cidades e, em alguns casos, encontravam suas casas destruídas.

"Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa", disse José Fernández ao se deparar com móveis queimados, paredes parcialmente desabadas e montanhas de cinzas que restaram de sua residência em Pelayos de la Presa, perto de Madri.

"Ficou tudo ali", lamentou, com os olhos marejados, o aposentado de 74 anos, enquanto caminhava pelos restos carbonizados.

Em outro dos municípios onde os moradores puderam retornar, Susana Barrul, dona de casa de 39 anos, não escondia a felicidade por voltar ao terreno onde mora, que permaneceu intacto em Aldea del Fresno.

"Estamos felizes por voltar. Estamos tentando retomar a normalidade", disse ela, satisfeita por poder cozinhar e preparar um café enquanto recupera a rotina com os filhos, embora "a cidade ainda pareça fantasma".

A situação parece estabilizada, mas as autoridades francesas e espanholas advertiram para condições desfavoráveis ao longo do dia, que ameaçam alimentar novos focos e a intensificação das chamas.

Esses incêndios são consequência da vegetação seca e às ondas de calor excepcionais que vêm ocorrendo desde junho, em consequência das mudanças climáticas.

No sudoeste da França, dezenas de milhares de pessoas também receberam autorização para voltar às suas casas na região vinícola ao redor de Bordeaux, atingida pelo maior incêndio registrado no país desde 1949, que devastou 42 mil hectares e obrigou à evacuação de mais de 220 mil pessoas.

Após uma breve trégua durante a noite e um foco considerado "estabilizado" pela manhã, as altas temperaturas voltaram ontem, acompanhadas de ventos que alimentam um incêndio de intensidade incomum."É preciso arregaçar as mangas", concorda Jean-Claude Bonnet, voluntário de Bordeaux que se mobilizou para apoiar os bombeiros, cujas equipes já contabilizam 126 feridos.

Voluntários

"É preciso arregaçar as mangas", diz Jean-Claude Bonnet, voluntário de Bordeaux que se mobilizou para apoiar os bombeiros, cujas equipes já contabilizam 126 feridos.

"Tenho 67 anos e nunca tinha visto algo assim. Vínhamos pela estrada até aqui e comecei a chorar", afirmou. (AFP)

 

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