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Oriente Médio

Trump intensifica ataques contra o Irã

Paquistão, Catar e ONU lamentam fim do cessar-fogo e pedem medidas de moderação para evitar a volta da guerra

08 de Julho de 2026 às 22:11
AFP
Trump:
Trump: "não buscamos uma situação de longo prazo" (Crédito: SAUL LOEB / AFP)

Os Estados Unidos vão intensificar os ataques contra o Irã, advertiu ontem (8) o presidente Donald Trump, que declarou encerrada a trégua e, mais tarde, afirmou esperar que esses confrontos terminem "muito rapidamente".

As hostilidades atingiram vários países do Golfo Pérsico, mas se concentraram no Estreito de Ormuz, uma rota marítima fundamental para o comércio de petróleo que continua sendo um dos principais focos do conflito, desencadeado no fim de fevereiro com a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

O governo iraniano quer controlar o Estreito de Ormuz por meio da cobrança de taxas e advertiu que atacará embarcações que não respeitarem os corredores autorizados. Desde junho, a República Islâmica está em negociações com os EUA para encontrar uma solução duradoura para o conflito.

Os bombardeios atribuídos ao Irã contra pelo menos três embarcações nos últimos dias desencadearam uma ofensiva americana contra alvos no Irã na terça-feira (7), à qual Teerã respondeu atacando países da região do golfo, aliados dos EUA.

"No que diz respeito a mim, acabou", declarou Trump ontem, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao ser questionado se a trégua com o Irã ainda permanecia em vigor.

"Acho que qualquer coisa que aconteça terminará muito rapidamente e apenas tornará tudo mais seguro, inclusive para o petróleo (...) Seja o que for que aconteça, acontecerá muito rapidamente. Não buscamos uma situação de longo prazo", declarou.

O Paquistão, que mediou a obtenção da trégua, pediu a todas as partes que exerçam moderação e respeitem seus compromissos, enquanto o Catar, outro importante mediador, condenou os ataques do Irã e pediu a retomada do caminho da diplomacia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou as partes a "adotarem medidas imediatas para reduzir a escalada" e a retomarem o diálogo.

Explosões

A agência de notícias iraniana Irib informou sobre explosões na região do Estreito de Ormuz, entre elas seis na Ilha de Qeshm, sete na cidade de Sirik e outras em Bandar Abbas, um dos principais portos do país.

Também foram relatadas explosões na cidade portuária de Bushehr, onde fica a única usina nuclear civil do país. A cidade está situada perto da Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do Irã, pela qual transita cerca de 90% das exportações de petróleo do país.

O comando americano no Oriente Médio (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos.

Os bombardeios tinham como objetivo imediatamente "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que transita por essa rota estratégica para o comércio mundial", afirmou.

A resposta iraniana não tardou. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado ataques contra dezenas de instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein.

Nawal Saad, uma funcionária do Bahrein, expressou sua angústia após acordar com os alertas antiaéreos. "O fantasma da guerra volta a pairar sobre nós", lamentou. (Da Redação, com informações da AFP)