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Conflito

Trump acusa Irã de violar cessar-fogo perto do fim da trégua

EUA dizem ter posição sólida no acordo e que Irã não tem escolha

21 de Abril de 2026 às 20:24
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Cúpula política-militar em Islamabad, no Paquistão, está conduzindo as negociações
Cúpula política-militar em Islamabad, no Paquistão, está conduzindo as negociações (Crédito: AFP)

Donald Trump acusou ontem (21) o Irã de violar de maneira reiterada o cessar-fogo com os Estados Unidos, que está prestes a expirar, em um contexto de incerteza sobre uma eventual retomada das negociações, para as quais Teerã não enviou uma delegação a Islamabad.

Em meio às dúvidas sobre uma prorrogação da trégua para hoje (22) e além, o presidente dos Estados Unidos ressaltou a “posição sólida” de seu país diante de possíveis negociações no Paquistão.

“Vamos acabar com um ótimo acordo. Acho que eles não têm escolha... Estamos em uma posição de negociação muito, muito forte”, disse Trump ao canal CNBC, apesar de o governo do Irã ter expressado diversas vezes sua desconfiança a respeito de Washington, por considerar que os americanos não atuam de boa-fé.

Na manhã de terça-feira, a televisão estatal iraniana informou que “nenhuma delegação” viajou para o Paquistão, país que recebeu a primeira rodada de negociações de alto nível no início deste mês.

Em sua rede Truth Social, Trump acusou o Irã de violar o cessar-fogo em “várias ocasiões”, uma recriminação que Teerã também atribui a Washington.

O presidente republicano acusou o Irã de atirar contra navios no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio de hidrocarbonetos bloqueada desde o início do conflito no Oriente Médio, uma situação que provocou um forte abalo na economia global.

Teerã afirma que o bloqueio americano e a apreensão de um navio iraniano violaram o acordo de cessar-fogo.

No início deste mês, os dois inimigos participaram de um primeiro ciclo de diálogo no Paquistão, as negociações de maior nível entre as nações inimigas desde a fundação da República Islâmica em 1979. O diálogo terminou sem avanços nas questões mais importantes, como o programa nuclear iraniano, e depois da reunião as tensões aumentaram no Estreito de Ormuz.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país não aceitará negociar “sob a sombra das ameaças” de Trump e está disposto a utilizar “novas cartas no campo de batalha” se a guerra for retomada.

A interrupção das hostilidades trouxe algum alívio para alguns habitantes de Teerã, como Babak Samiei, que voltou a praticar esportes e ioga após 40 dias “sem fazer nada”. Para outros moradores de Teerã entrevistados pela AFP a partir de Paris, a vida piorou devido à opressão do governo e às consequências da guerra.

Estados Unidos e Israel afirmam que o programa foi o motivo do ataque contra o Irã, que defende seu direito de enriquecer urânio para fins civis. (Da Redação, com informações da AFP)