Guerra
Trump ameaça eliminar navio iraniano que furar bloqueio
Irã respondeu que portos do Golfo Pérsico poderão ter represálias
Donald Trump ameaçou eliminar qualquer navio iraniano que tente forçar o bloqueio naval dos portos do Irã imposto pelos Estados Unidos e que entrou em vigor ontem (13). O presidente dos Estados Unidos anunciou o bloqueio de todos os portos iranianos desde ontem (às 11h de Brasília), depois que as negociações de paz com representantes do Irã, no Paquistão, fracassaram.
Para o Irã, esse bloqueio é “ilegal” e um ato de “pirataria”, e advertiu que, caso seja levado adiante, nenhum porto do Golfo Pérsico “estará a salvo” de represálias.
A resposta de Donald Trump foi imediata. “Se algum desses navios se aproximar minimamente do nosso bloqueio, será eliminado imediatamente”, disse em sua rede Truth Social.
O anúncio do bloqueio voltou a impulsionar os preços do petróleo, que superaram os US$ 100 por barril, e mergulhou novamente os mercados mundiais na incerteza.
Segundo detalhou Trump no Truth Social, o bloqueio será imposto a todos os navios que entrem e saiam dos portos iranianos. O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio especificou que será autorizada a circulação de embarcações que não partam do Irã nem se dirijam a esse país.
“A intenção de Trump é tentar privar o Irã de suas receitas de exportação e obrigar seus principais importadores de petróleo, particularmente a China, a pressionar Teerã para que levante seu bloqueio do Estreito de Ormuz”, indicou o centro de estudos Soufan Center.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada em 28 de fevereiro após bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã, Teerã mantém bloqueado o Estreito de Ormuz.
Por essa passagem estratégica, por onde em condições normais transita cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, o Irã impôs de fato taxas de passagem para cruzá-lo, medidas que pretende manter.
Trump afirmou que 34 navios cruzaram Ormuz no domingo (12), o que, segundo ele, “é de longe o número mais alto desde que começou esse fechamento insensato”.
A China, que depende em grande medida do Irã para seu abastecimento de petróleo, pediu o restabelecimento de uma navegação “sem obstáculos” em Ormuz, uma demanda à qual também se somou a Associação de Nações do Sudeste Asiático.
A agência marítima da Organização das Nações Unidas afirmou que “nenhum país” tem o direito legal de bloquear a navegação em Ormuz.
A incapacidade de ambas as partes de alcançar um acordo gera temor de uma retomada do conflito que se estendeu por toda a região devido às represálias da república islâmica contra seus vizinhos. (AFP)