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Trump prorroga ultimato ao Irã por duas semanas

Presidente dos EUA havia ameaçado um ataque devastador

07 de Abril de 2026 às 22:21
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Alguns aliados pediram a destituição de Donald Trump
Alguns aliados pediram a destituição de Donald Trump (Crédito: KENT NISHIMURA / AFP (6/4/2026))

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem (7) que aceitou suspender por duas semanas um ataque devastador contra o Irã e que estava disposto a um cessar-fogo na guerra caso Teerã reabra completamente o Estreito de Ormuz.

“Eu aceito suspender o bombardeio e o ataque contra o Irã por um período de duas semanas”, publicou Trump nas redes sociais pouco mais de uma hora antes de expirar seu prazo, após conversas com mediadores do Paquistão.

“Isso será um cessar-fogo por ambos os lados!”, escreveu Trump. “A razão para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã, e a paz no Oriente Médio‘.

O anúncio ocorreu depois que o Paquistão fez uma proposta de última hora para evitar ataques massivos dos Estados Unidos contra o Irã nesta noite.

“Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável sobre a qual negociar”, acrescentou.

Trump havia advertido que “toda uma civilização” morreria ontem à noite caso não se chegasse a um acordo.

“Quase todos os diferentes pontos de conflito do passado foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído‘, disse Trump.

Saúde mental

A ameaça do presidente dos Estados Unidos de aniquilar a civilização iraniana, juntamente com outros comentários intimidatórios recentes, levaram seus críticos a questionar sua saúde mental.

O líder mais idoso da história dos Estados Unidos intensificou sua retórica apocalíptica à medida que cresce sua frustração diante da recusa de Teerã em chegar a um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

Alguns de seus antigos aliados pediram a destituição do republicano de 79 anos, após uma série de publicações em redes sociais particularmente extravagantes e, por vezes, repletas de palavrões.

Diante do crescente alarme mundial, a Casa Branca foi obrigada a desmentir as especulações de que essa declaração — assim como os comentários do vice-presidente JD Vance sobre a existência de “ferramentas em nosso arsenal que, até agora, decidimos não utilizar” — implicavam que Trump estaria disposto a recorrer a armas nucleares.

“Não podemos aniquilar uma civilização inteira. Isso é maldade e loucura”, afirmou na rede social X a ex-congressista de extrema direita Marjorie Taylor Greene, que rompeu com Trump no ano passado.

Antigos aliados, incluindo Marjorie Greene, juntaram-se aos democratas para exigir que o gabinete de Trump invoque a 25ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que prevê a transferência de poder caso um presidente seja considerado incapaz de governar, especialmente por motivos de saúde.

Papa

O papa Leão XIV classificou como “inaceitável” a ameaça de Donald Trump, de eliminar toda a civilização iraniana caso Teerã não abra o Estreito de Ormuz.

“Hoje (ontem) ocorreu essa ameaça contra todo o povo do Irã, e isso é realmente inaceitável. Certamente há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, trata-se de uma questão moral”, disse o papa aos jornalistas. (AFP)