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Manifestações

Protestos seguem no Irã, apesar de temor de repressão

Desde no início das manifestações, 51 pessoas morreram no pais

10 de Janeiro de 2026 às 21:20
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Apoiadores de Reza Pahlavi, filho do xá deposto, foram às ruas na Holanda
Apoiadores de Reza Pahlavi, filho do xá deposto, foram às ruas na Holanda (Crédito: PHIL NIJHUIS / ANP / AFP (10/1/2026))

Os temores de uma repressão brutal no Irã se intensificaram ontem (10), após mais de dois dias sem acesso à internet e a retomada de manifestações noturnas, em um movimento de protesto sem precedentes em três anos.

As manifestações no Irã, iniciadas há duas semanas por comerciantes insatisfeitos com a crise econômica do país, representam um dos maiores desafios das autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. Atos realizados em outros países apoiam a iniciativa dos iranianos.

Reza Pahlavi, que vive nos Estados Unidos e é filho do deposto xá do Irã, celebrou a participação popular nas manifestações de sexta-feira e pediu aos iranianos para organizar protestos mais focados neste fim de semana e a “tomar e controlar os centros urbanos”.

Pahlavi, cujo pai Mohammad Reza Pahlavi foi deposto na revolução de 1979 e morreu em 1980, disse que também está se preparando para “retornar à [sua] pátria” em breve.

O país estava ontem sem acesso à internet havia 36 horas, após um apagão nacional imposto pelas autoridades, segundo a ONG de cibersegurança Netblocks. Nessas condições, é difícil ter acesso a qualquer informação.

“O regime iraniano cortou os canais de comunicação dentro do país” e “bloqueou todos os meios de contato com o mundo exterior”, alertaram dois cineastas e dissidentes proeminentes, Mohammad Rasulof e Jafar Panahi.

“A experiência mostra que o objetivo de tais medidas é encobrir a violência infligida durante a repressão aos protestos”, afirmaram eles na conta do Instagram de Panahi, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado.

A ganhadora iraniana do Nobel da Paz, Shirin Ebadi, alertou na sexta-feira que as forças de segurança podem estar se preparando para cometer um “massacre sob a cobertura de um amplo bloqueio de comunicações”.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, escreveu em sua conta no X que “os Estados Unidos estão ao lado do corajoso povo iraniano”.

A Anistia Internacional afirmou estar analisando evidências que sugerem que a repressão se intensificou nos últimos dias. Desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, morreram e centenas ficaram feridos, segundo um comunicado divulgado na sexta-feira pela ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega.