Nova diretriz
Venezuela liberta presos políticos, incluindo estrangeiros
Presidentes dos EUA e da Colômbia conversaram pelo telefone
Um número significativo de presos políticos, incluindo estrangeiros, foi libertado na Venezuela, segundo anunciado ontem (8) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Ele não deu detalhes nem informou quantas pessoas foram colocadas em liberdade. A ONG Fórum Penal contabiliza 806 presos por razões políticas na Venezuela, dos quais 175 são militares.
“Em prol da convivência pacífica, o governo bolivariano, juntamente com as instituições do Estado, decidiu libertar um número significativo de cidadãos venezuelanos e estrangeiros”, disse Rodríguez.
Na quarta-feira (7), a líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, defendeu que a transição só será viável com a libertação de todos os presos políticos.
“Não pode haver transição com presos políticos. Essa é a primeira coisa que precisa acontecer nas próximas horas”, afirmou. “A única coisa que sustentava Maduro e essa estrutura frágil era o medo. Se eliminarmos o terror, nada restará.”
María Corina também disse que Edmundo González Urrutia ganhou as eleições presidenciais do ano passado com quase 70% dos votos e, por isso, é o presidente eleito da Venezuela e deve ter seu mandato respeitado.
Ela evitou falar sobre a posição do governo dos EUA, mas defendeu que a operação realizada pelos americanos no território venezuelano tinha como objetivo salvar vidas. “O direito internacional existe para proteger as pessoas, não aqueles que possuem armas e roubam recursos”, disse.
A libertação de presos na Venezuela é “exemplo” da “influência” de Donald Trump, de acordo com o governo dos Estados Unidos.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou, em entrevista para a Fox Business, que Washington não permitirá que a China tenha “grande controle” sobre a Venezuela, mas ponderou que há espaço para equilibrar os papéis das duas principais potências econômicas do mundo no país latino.
Colômbia
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e Trump concordaram em realizar “ações conjuntas” para golpear a guerrilha do ELN, que atua na fronteira com a Venezuela, informou ontem o governo colombiano.
Na primeira conversa telefônica entre os dois, realizada na quarta-feira, os presidentes reduziram o tom após uma escalada de tensões provocada pelos bombardeios americanos em Caracas, pela captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, e por ameaças de possíveis ações militares na Colômbia. (Estadão Conteúdo e AFP)