Conflito
Rússia bombardeia Kiev na véspera da reunião entre Trump e Zelensky
Capital foi alvo de 519 drones e 40 mísseis; guerra acontece desde 2022
A reunião na Flórida entre Donald Trump e Volodimir Zelensky está marcada para hoje (28), mas a Rússia lançou ontem (27) mesmo um novo ataque com drones e mísseis contra Kiev, que deixou dois mortos e centenas de milhares de moradores sem energia elétrica e calefação. O alerta antiaéreo permaneceu acionado por várias horas, após grandes explosões durante a noite.
A capital foi alvo de 519 drones e 40 mísseis, dos quais 474 e 29, respectivamente, foram derrubados, segundo a Força Aérea ucraniana.
Um dos projéteis incendiou um prédio residencial, onde uma pessoa morreu e 28 ficaram feridas, segundo o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko. Outra pessoa faleceu em uma área da periferia de Kiev. A primeira-ministra, Yulia Sviridenko, informou que quase 600 mil residências ficaram sem energia elétrica.
O ataque aconteceu na véspera da reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, prevista para acontecer na Flórida e durante a qual eles abordarão o plano promovido pelos Estados Unidos para acabar com o conflito, iniciado em fevereiro de 2022.
Zelensky disse ontem, antes de viajar para o encontro nos Estados Unidos, que o ataque russo contra Kiev demonstra que Moscou “não quer o fim da guerra”. Os russos “buscam qualquer desculpa para causar à Ucrânia um sofrimento ainda maior e aumentar a pressão”, acrescentou o mandatário.
O Exército da Rússia afirmou que atacou instalações militares e infraestruturas energéticas “usadas em benefício das Forças Armadas da Ucrânia”. Antes do encontro de hoje com Trump, Zelensky se reunirá com o primeiro-ministro Mark Carney durante uma escala no Canadá e conversará, por videoconferência, com vários líderes europeus.
O plano mais recente de Washington é uma proposta de 20 pontos que congelaria a linha de frente nas posições atuais, mas abriria a porta para que a Ucrânia retire suas tropas do leste, onde poderiam ser criadas zonas desmilitarizadas, explicou Zelensky à imprensa no início da semana.
O presidente ucraniano também apontou divergências entre Kiev e Washington sobre a região do Donbass (leste), controlada em sua maior parte pela Rússia.
O governo dos Estados Unidos pressiona a Ucrânia para que retire suas tropas dos 20% de território que controla na região de Donetsk, parte do Donbass, principal exigência territorial da Rússia.
O plano atualizado de Washington também propõe um controle conjunto entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia da central de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que as tropas russas tomaram durante a invasão.
Zelensky afirmou que a possibilidade de ceder território precisa ser aprovada pela população ucraniana em um referendo. A Ucrânia obteve concessões em relação ao plano anterior, de 28 pontos, apresentado pelos Estados Unidos e considerado muito tendencioso a favor dos interesses da Rússia. (AFP)