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Inundações deixam 95 mortos na Espanha

Em algumas horas choveu 300 milímetros, volume equivalente a um ano inteiro

30 de Outubro de 2024 às 21:57
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Força da água fez uma
Força da água fez uma "avalanche" de carros na cidade de Sedaví, região de Valência (Crédito: JOSÉ JORDAN / AFP (30/10/2024))

Ao menos 95 pessoas morreram nas inundações provocadas pelas chuvas torrenciais que afetaram principalmente o sudeste da Espanha, levando caos a muitas localidades que ficaram isoladas. “A cifra atualizada é de 92 pessoas falecidas na Comunidade Valenciana, duas em Castela-Mancha e mais uma pessoa na Andaluzia, o que faz um total de 95 pessoas”, disse à emissora pública TVE o ministro da Polícia Territorial, Ángel Victor Torres. Ele alertou, ainda, que “são dados provisórios” e que esse número poderá aumentar.

Valência era a região mais crítica para os serviços de emergência ontem (30), com estradas destruídas e áreas isoladas e sem serviços de telefonia ou eletricidade, o que gera temores de um número de mortos ainda maior. “Choveu por 10 horas (...) Estamos isolados, não é possível acessar parte da cidade. As estradas estão todas cortadas, as pontes estão partidas‘, disse José Manuel Rellán, um morador da cidade valenciana de Ribarroja del Turia, à AFPTV.

As imagens impactantes registradas mostram enxurradas de água devastando ruas e arrastando automóveis. A agência meteorológica estatal Aemet registrou “acúmulos extraordinários” de chuva, com alguns municípios recebendo 300 mm de água por metro quadrado em apenas algumas horas, “praticamente o que pode chover em um ano inteiro”, disse o líder da oposição de direita, Alberto Núñez Feijóo, que visitou uma localidade atingida em Castela La Mancha.

O transporte ferroviário e aéreo na região continua suspenso e o trem de alta velocidade entre Madri e Valência só voltará a funcionar na próxima semana, informaram as autoridades. “Reiteramos a importância de não fazer deslocamentos por estrada” nas áreas afetadas na região de Valência, insistiu o presidente regional, Carlos Mazón.

O governo enviou para Valência mais de mil soldados da Unidade Militar de Emergência, especializada em missões de salvamento, para apoiar os serviços de resgate locais e o Exército mobilizou equipes com cães para buscar corpos, necrotérios móveis e psicólogos para atender as vítimas.

Os cientistas alertam para o fato de os fenômenos meteorológicos extremos, como as ondas de calor e as tempestades, estarem se tornando mais intensos devido às mudanças climáticas.

“Estes fenômenos extremos podem ultrapassar a capacidade de resposta dos planos de emergência existentes, mesmo em um país relativamente rico como a Espanha”, disse Leslie Mabon, professora de Sistemas Ambientais na Universidade Aberta da Grã-Bretanha. (AFP)