Oriente Médio
Novas explosões de aparelhos do Hezbollah deixam 14 mortos
Pagers e walkie-talkies provenientes de Taiwan teriam material explosivo
Quatorze pessoas morreram e cerca de 450 ficaram feridas em uma nova onda de explosões de dispositivos de comunicação do Hezbollah no Líbano, um dia após as explosões atribuídas pela organização pró-iraniana a Israel, o que alimentou temores de uma guerra total na região.
Uma fonte próxima ao Hezbollah indicou que vários aparelhos “explodiram no subúrbio sul de Beirute”, um de seus redutos, e a mídia estatal informou sobre explosões no sul e no leste do país. Imagens da AFPTV mostraram pessoas correndo para se proteger após uma explosão durante o funeral de quatro militantes do Hezbollah mortos nas explosões de terça-feira (17) no subúrbio de Beirute.
Após um balanço anterior que apontava nove mortos, o Ministério da Saúde libanês afirmou que a “onda de explosões inimigas de walkie-talkies (...) matou 14 pessoas e feriu mais de 450”.
Na terça-feira, a explosão de centenas de pagers usados pelo Hezbollah matou 12 pessoas e deixou 2.800 feridos, centenas deles membros do grupo, que culpou Israel pelo ataque e prometeu uma “justa punição”.
O governo de Israel se absteve de comentar essa primeira onda de explosões, ocorrida horas após anunciar a extensão até sua fronteira com o Líbano de seus objetivos da guerra iniciada em outubro contra o movimento palestino Hamas na Faixa de Gaza.
O Hezbollah, aliado do Hamas, informou que “a resistência islâmica no Líbano continuará suas operações para apoiar Gaza” e prometeu um “ajuste de contas severo” contra Israel.
No hospital Hôtel-Dieu de Beirute, a paramédica Joelle Khadra relatou que a maioria dos feridos tinha lesões nos olhos e nas mãos, com amputações de dedos, e que alguns perderam a visão. Um médico de outro hospital da capital libanesa, que falou sob condição de anonimato, contou que trabalhou a noite toda e que nunca viu nada parecido.
Um encarregado libanês de segurança, que pediu anonimato, afirmou que uma investigação preliminar mostrou que os aparelhos foram programados e continham materiais explosivos colocados junto à bateria.
O jornal The New York Times indicou que os pagers eram provenientes de Taiwan e receberam a carga explosiva antes de chegarem ao Líbano. (AFP)