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Mais de 3.400 bombeiros voluntários combatem incêndios no Chile

Atualmente, 301 focos estão ativos, dos quais 81 estão sendo combatidos

07 de Fevereiro de 2023 às 16:53
Cruzeiro do Sul [email protected]
 Firefighters try to extinguish the forest fire in Santa Juana, Concepcion province, Chile on February 6, 2023. - The fires, which have been raging since last week, have left 26 people dead, 1,260 injured, 3,000 homeless and 1,159 homes burned, according to a report released by the National Service of Disasters Prevention and Response (Senapred). (Photo by JAVIER TORRES / AFP)
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Mais de 3.400 bombeiros voluntários combatem incêndios no Chile (Crédito: JAVIER TORRES / AFP)

Os incêndios florestais que atingem o centro do Chile há uma semana ameaçam se espalhar por outras regiões, o que aumenta o desafio para os mais de 3.400 bombeiros voluntários que lutam contra as chamas. As autoridades decretaram alerta vermelho em setores da região de Los Ríos, devido a um incêndio que atinge os municípios de Corral e Valdivia. Também temem novos focos em O'Higgins e na região metropolitana de Santiago, até a próxima sexta-feira (10), de acordo com as previsões. Resultado de uma nova onda de calor extremo com temperaturas que superam os 37ºC.

"Uma situação muito complexa pode ser gerada a partir do ponto crucial. Por isso, é preciso preparar todos os equipamentos para uma eventualidade e necessidade para combater os incêndios que possam surgir", disse o subsecretário do Interior, Manuel Monsalve, na terça-feira (7).

Atualmente, 301 focos estão ativos, dos quais 81 estão sendo combatidos. Pelo menos 26 pessoas perderam a vida e 1.944 ficaram feridas em incêndios nas regiões de Biobío, Maule e Ñuble, declaradas em estado de catástrofe pelo presidente Gabriel Boric.

Desde que os incêndios começaram, na última quarta-feira (1°), as chamas já consumiram mais de 280 mil hectares e destruíram 1.150 residências, de acordo com o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred).

Como resultado dos focos também foram declaradas emergências e pré-emergências devido a uma nuvem de fumaça que cobre grande parte do território chileno, incluindo Santiago. Quinze pessoas foram detidas por suposta responsabilidade no início dos incêndios, e em oito desses casos já foram apresentadas acusações formais.

 

As chamas já consumiram mais de 280 mil hectares e destruíram 1.150 residências, de acordo com o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) - JAVIER TORRES / AFP
As chamas já consumiram mais de 280 mil hectares e destruíram 1.150 residências, de acordo com o Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres (Senapred) (crédito: JAVIER TORRES / AFP)

Bombeiros nas horas vagas 

Na linha de frente contra o fogo estão os brigadistas da Corporação Nacional Florestal (Conaf) e das companhias florestais, além dos 3.400 bombeiros da região e de outras localidades que redobram os esforços em apagar os focos.

Diferentemente dos brigadistas, os bombeiros no Chile são voluntários que não recebem salário por seu trabalho em emergências. "O que nos motiva a sermos bombeiros é a vontade e o serviço. Nenhum pagamento vai recompensar a gratidão das pessoas", conta à AFP José Antonio Sepúlveda, engenheiro comercial que atua como bombeiro voluntário.

Sepúlveda mora na cidade de Concepción (510 quilômetros ao sul de Santiago), mas se mudou com sua empresa para Santa Juana para tentar conter o fogo que já destruiu quase metade desse município. Os voluntários se dedicam às situações de emergência em seu tempo livre ou com autorização dos seus empregadores.

Macarena Fernández, uma professora de educação física que mora na região de Nacimiento, também na província de Concepción, chegou há quatro dias à Santa Juana para reforçar as operações aproveitando o verão e as férias escolares.

"A sexta-feira foi o dia mais críticos para nós, o mais intenso, com muito trabalho. Fizemos o que era humanamente possível, o que estava dentro dos nossos recursos", diz. A voluntária confessou que "o mais dramático é ver a situação das pessoas que estão sem suas casas, famílias, animais e totalmente desamparadas".

"Os bombeiros daqui estão trabalhando 18 horas diárias, dormindo pouco, se esforçam ao máximo", diz Danilo Figueroa, um eletricista e técnico de enfermagem que já é bombeiro voluntário há mais de 20 anos.

Figueroa relembra quando alguns de companheiros estavam apagando um foco de incêndio e foram avisados de que suas casas estavam pegando fogo. "É um pouco contraditório que você esteja servindo a outras pessoas e te ligam para avisar que sua casa está pegando fogo", analisa.

Mas após quase uma semana de emergência ininterrupta, o governo disse que há empregadores que exigem o retorno de seus funcionários que também são bombeiros. "Sabemos que alguns lugares perderam muitas equipes de bombeiros" porque foram chamados por seus empregadores para voltar aos seus postos de trabalho, lamentou a ministra do Interior, Carolina Tohá.

"Esse tempo, enquanto houver um incêndio que ameace vidas, não é muito longo. (...) Quanto mais dias (de incêndios), mais os voluntários são necessários, mais cansados estão e mais precisam do apoio e disposição de seus empregadores para fornecer esses tipos de facilidades", enfatizou. (AFP)

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