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Cabul

Protestos no Afeganistão pedem abertura de escolas às mulheres

27 de Março de 2022 às 00:01
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Adolescentes estão proibidas de frequentar escola secundária.
Adolescentes estão proibidas de frequentar escola secundária. (Crédito: AHMED SAHEL ARMAN / AFP (26/3/2022))

Grupos de mulheres e meninas se manifestaram ontem em Cabul sob a palavra de ordem “abram as escolas” para protestar contra a decisão dos talibãs de fechar os institutos secundaristas horas depois de terem aberto esses colégios.

Em 23 de março, milhares de meninas chegaram alegres às escolas secundaristas no dia em que o Ministério da Educação estabeleceu para a retomada das aulas. Porém, algumas horas depois, as autoridades anunciaram que reverteram a decisão, pela qual as jovens disseram se sentir traídas, o que gerou indignação dos governos estrangeiros.

Manifestantes levavam cartazes com a mensagem “A educação é nosso direito fundamental, não é um plano político”, antes de se dispersarem após a chegada da polícia ao local.

Os talibãs não explicaram sua decisão, que se produziu após uma reunião de altos quadros na cidade de Kandahar, no sul do país, que é a capital de fato e o centro espiritual para esse grupo islâmico radical.

O plano de abrir as escolas para as mulheres foi produzido após meses de trabalho com governos estrangeiros para apoiar o pagamento dos professores. As meninas e adolescentes afegãs estão sem acesso à educação há sete meses.

Desde seu retorno ao poder, em 15 de agosto, os talibãs reverteram décadas de avanços nos direitos das mulheres, que foram afastadas de muitos trabalhos no governo, impedidas de viajar sozinhas e obrigadas a seguir um código de vestimenta de acordo com uma interpretação rigorosa do Alcorão.

Malala

Os Estados Unidos esperam que os talibãs revertam a sua decisão de excluir as adolescentes das escolas no Afeganistão, disse o emissário americano para o país, Thomas West. Os Estados Unidos cancelaram as conversas com a linha dura dos talibãs devido a essa proibição.

Para a paquistanesa Malala Yousafzai, prêmio Nobel da Paz, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato por parte dos talibãs paquistaneses quando tinha 15 anos, dessa vez, será “muito mais difícil” para eles manterem as escolas fechadas.

A diferença em relação a antes é que “as mulheres viram o que significava ter educação”, considerou Malala. (AFP)