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Guerra

Zelensky exige diálogo, para que ‘perdas da Rússia’ sejam menores

Presidente da Ucrânia disse que negociações são a saída para Putin minimizar seus erros

20 de Março de 2022 às 00:01
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Desde o início da invasão foram realizadas várias rodadas de conversação, sem sucesso.
Desde o início da invasão foram realizadas várias rodadas de conversação, sem sucesso. (Crédito: FABRICE COFFRINI / AFP (19/3/2022))

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou ontem que é hora de Moscou aceitar em “conversar” seriamente sobre a paz. Disse que se isso não for feito, a Rússia levará “várias gerações” para se recuperar de suas perdas na guerra.

O ministério da Defesa russo informou que no dia anterior havia usado mísseis hipersônicos “Kinjal” para destruir um depósito de armas subterrâneo no oeste da Ucrânia, algo sem precedentes, segundo a agência estatal Ria Novosti. Esse tipo de míssil desafia todos os sistemas de defesa antiaérea, segundo Moscou. A Rússia nunca havia informado sobre o uso deste míssil balístico em nenhum dos dois conflitos em que participa -- Ucrânia e Síria.

O presidente Zelensky, por sua vez, considerou que “as negociações sobre paz e segurança na Ucrânia são a única oportunidade que a Rússia tem de minimizar os danos causados por seus próprios erros”.
“Quero que todos me ouçam agora, especialmente em Moscou. Chegou a hora de uma reunião, é hora de conversar”, disse ele em um vídeo. “Chegou a hora de restaurar a integridade territorial e a justiça para a Ucrânia. Do contrário, as perdas da Rússia serão tais que o país levará várias gerações para se recuperar.”

Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, Kiev e Moscou realizaram várias rodadas de negociações, pessoalmente e por videoconferência. A quarta começou na segunda-feira.
O chefe da delegação russa falou, na noite de sexta-feira, sobre uma “conciliação” de posições sobre a questão de um status neutro para a Ucrânia -- semelhante ao da Suécia e da Áustria -- e avanços na desmilitarização do país. No entanto, ele também disse que há “nuances” para discutir sobre as “garantias de segurança” exigidas pela Ucrânia.

Mas um membro da delegação ucraniana, o conselheiro presidencial Mikhailo Podoliak, alertou que as “declarações do lado russo são apenas o começo de suas exigências”. Segundo ele, “mossa posição não mudou: cessar-fogo, retirada das tropas (russas) e fortes garantias de segurança com fórmulas concretas”.

Boris Johnson

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, alertou ontem que seria um “erro” retornar às relações normais com a Rússia, mesmo que a invasão da Ucrânia cesse. “Tentar normalizar as relações com (o presidente russo Vladimir) Putin depois disso, como fizemos em 2014, seria cometer o mesmo erro novamente”, disse Johnson, referindo-se à anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia. Ele enfatizou que havia chegado a hora de “escolher entre a liberdade e a opressão”. (AFP e Redação)