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Operação Crédito Oculto

Operação mira lavagem da máfia do combustível

Delator do caso Master é investigado por fraudes com fundos de investimento e apostas

24 de Setembro de 2026 às 21:09
Estadão Conteúdo [email protected]
TQ São Paulo 24.09.2026 Nacional Ministério Público, PF, PM e Receitas Estadual e Federal participam hoje da Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. Entre os alvos estão um banqueiro, seus irmãos e Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, delator do caso Master, e o advogado Rogério Gacia Peres. Local: ENTRE PAY - Rua Iguatemi, 192, Itaim Bibi, Ed Iguatemi Office Building. Foto Tiago Queiroz/Estadão
TQ São Paulo 24.09.2026 Nacional Ministério Público, PF, PM e Receitas Estadual e Federal participam hoje da Operação Crédito Oculto, terceira fase da Operação Carbono Oculto. Entre os alvos estão um banqueiro, seus irmãos e Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, delator do caso Master, e o advogado Rogério Gacia Peres. Local: ENTRE PAY - Rua Iguatemi, 192, Itaim Bibi, Ed Iguatemi Office Building. Foto Tiago Queiroz/Estadão (Crédito: Tiago Queiroz / Estadão Conteúdo)

O primeiro delator nas investigações sobre o Banco Master, Antonio Carlos Freixo Junior, é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, 3ª fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada ontem (24), que investiga lavagem de dinheiro do setor de combustíveis. Ele é suspeito de ajudar os empresários Roberto Augusto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Murad, o Primo, ambos foragidos da Justiça, a ocultar seus nomes na aquisição de uma distribuidora.

Conhecido como "Mineiro", Antonio Freixo admitiu ser um dos braços do ex-banqueiro Daniel Vorcaro na geração de dinheiro vivo para transações do dono do Master. Sua empresa, a Entre Investimentos, foi liquidada pelo Banco Central em março, após ser alvo da Operação Compliance Zero, que mira as fraudes no banco de Vorcaro. Entre os temas de sua delação, estão os repasses feitos a pedido de Vorcaro ao fundo que financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na Operação Crédito Oculto, o delator é investigado por sua relação com negócios de Beto Louco e Primo, donos da Copape e Aster, distribuidoras de combustíveis suspeitas de terem alavancado suas atividades em um esquema bilionário de sonegação de impostos. Em uma de suas refinarias, a dupla teve sociedade com um traficante internacional de drogas, o que rendeu a fama de serem associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Usina

A Entre Investimentos, empresa de Antonio Freixo, teria servido para ajudar Beto Louco e Primo a esconderem que eram os verdadeiros donos da Usina Itajobi, no interior de São Paulo, suspeita de sonegar mais de R$ 1 bilhão.

Em outra situação, a empresa também teria sido usada como "conta de passagem" para que a dupla da Copape e Aster usasse a Usina Itajobi para comprar uma outra empresa, a Terrana. Trata-se de uma empresa que pode ter sido adquirida por até R$ 153 milhões. Ambas as transações foram feitas com uso de fundos de investimentos.

O Ministério Público afirmou à Justiça que Antonio Carlos Freixo Junior, "por intermédio das suas empresas do Grupo Entre, possui ampla relação jurídica com as empresas da organização criminosa de Beto Louco e Mohamad, bem como com outros grupos criminosos".

"O ecossistema de clientes do Grupo Entre aparentemente orienta que as suas atividades são direcionadas para a lavagem de capitais. Mas não apenas. Descortinou-se para além de atos característicos de lavagem de capitais, uma rede de estruturação financeira fraudulenta envolvendo prêmios e apostas, aparentemente, com o intuito de lavar dinheiro dos seus clientes", diz a Promotoria.

As buscas desta quinta foram pedidas pelo grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

A ação está fundamentada em provas obtidas durante a primeira fase da Operação Carbono Oculto, como contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos em telefones celulares e computadores dos investigados. (Estadão Conteúdo)