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Benefício

Governo reajusta Bolsa Família em 15%

Aumento é anunciado pelo governo a 17 dias do primeiro turno das eleições

17 de Setembro de 2026 às 21:01
Da Redação com Estadão Conteúdo [email protected]
O poder de compra do dinheiro fica comprometido com inflação alta
O poder de compra do dinheiro fica comprometido com inflação alta (Crédito: MARCELLO CASAL JR / AGÊNCIA BRASIL)

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, anunciou que o governo reajustará em 15% o Bolsa Família. A mudança ocorre a 17 dias do primeiro turno eleitoral. Segundo Moretti, o custo é de R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir de outubro, e de R$ 22 bilhões em 2027. Todo o impacto seria absorvido pelo espaço fiscal existente em ambos os exercícios.

"Nós estamos identificando que há o espaço fiscal para conceder esse reajuste nos termos que a lei nos autoriza a fazer. O impacto para esse ano é a partir da folha de outubro é de R$ 5,8 bilhões e para o ano que vem, em torno de R$ 22 bilhões, nós vamos ajustar a lei orçamentária de 2027 para que dentro do espaço fiscal que nós temos para que a gente acomode lá o reajuste do bolsa família", afirmou.

Com o aumento linear aos benefícios dentro do Bolsa Família, o piso dos pagamentos sai de R$ 600 para R$ 691, com a média dos benefícios saindo de R$ 691 para R$ 777.

A alta foi justificada por Moretti pela previsão legal de dar reajuste inflacionário aos beneficiários, seguindo ele, o INPC desde o inicio do programa até agosto foi de 15,04%.

"A lei do Bolsa Família nos concede uma autorização para fazer a reposição inflacionária para garantir o poder de compra aos beneficiários do Bolsa Família. A população mais vulnerável deste País e é importante que se mantenha o poder de compra dessas famílias que haja o reajuste pela inflação", completou o ministro.

O reajuste do Bolsa Família não estava previsto no Projeto de Lei Orçamentária de 2027 (Ploa). Há 18 dias, durante a coletiva de imprensa para comentar o Ploa de 2027, o governo descartou reajuste no benefício social.

A estratégia também foi utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quando tentou a reeleição em 2022. A diferença foi que Bolsonaro recorreu à estratégia bem antes: em 24 de junho, ou seja, a 100 dias do 1º turno daquele ano. Na ocasião, o Auxílio Brasil — como foi rebatizado o Bolsa Família — passou de R$ 400 para R$ 600.

"ilegal e proibido"

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) criticou o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o aumento é "ilegal e proibido", por ter sido feito pouco antes das eleições.

"Fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo, faltando 17 dias para as eleições", declarou o candidato do PL, em comício em Vitória da Conquista (BA). "Ele acha que vai enganar alguém com o reajuste do Bolsa Família. Ele sabe que isso não pode", disse Flávio.

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou que vê "uso eleitoreiro" no reajuste. "Ninguém é contra apoiar quem mais precisa, e o valor do Bolsa Família deve proteger quem vive em vulnerabilidade. Mas aprovar R$ 5,8 bi de reajuste a 17 dias da eleição escancara o uso eleitoreiro do programa", escreveu na rede social X. (Da Redação com Estadão Conteúdo)