Tecnologia
Trump diz que há conspiração contra IA
ONU e especialistas defendem desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem (14) que há uma "conspiração doentia" contra a inteligência artificial (IA), após apelos de líderes do setor para desacelerar o ritmo de seu desenvolvimento.
"Há uma conspiração doentia em curso contra a IA e os centros de dados, e o único que se alegra com isso é a China", afirmou Trump em sua plataforma Truth Social.
Os mercados reagiram com nervosismo e as ações de tecnologia caíram em meio a apelos por cautela. Esses apelos, vindos de observadores independentes e agora de líderes do setor, alimentam o temor de que sistemas de computadores superinteligentes possam se tornar incontroláveis e dizimar a humanidade, criando patógenos ou desencadeando uma guerra nuclear.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma "ação urgente" para regulamentar a IA devido aos riscos sem precedentes representados pelos sistemas mais avançados.
"Estamos à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações", disse Türk em um comunicado.
"Exorto os Estados e as empresas a se mobilizarem urgentemente em estruturas multilaterais", acrescentou. "Todos os direitos humanos estão ameaçados" por essa tecnologia, incluindo "o direito à vida", insistiu.
Türk já havia alertado o Conselho de Direitos Humanos da ONU em 7 de setembro que a inteligência artificial poderia representar um "risco existencial para a humanidade".
A preocupação com as consequências da rápida ascensão da IA está crescendo. Vários executivos de empresas de tecnologia dos EUA também defenderam uma desaceleração dos avanços nessa área.
No sábado (12), o CEO da Anthropic, Dario Amodei, discursou a favor de uma desaceleração para permitir uma melhor avaliação dos riscos decorrentes das novas capacidades da IA. Ele recebeu apoio público de seu homólogo da OpenAI, Sam Altman, assim como de Elon Musk.
Segundo Stuart Russell, professor de informática da Universidade da Califórnia em Berkeley, o perigo imediato é o uso malicioso da IA por parte dos seres humanos. "No próximo ano ou dois, acredito que o maior risco reside no uso indevido da inteligência artificial por parte dos seres humanos", por exemplo, para perpetrar um atentado terrorista.
Jacob Coxon, um pesquisador da Anthropic de 27 anos, anunciou na semana passada que pediu demissão da empresa americana ao considerar que ela não atua de forma "responsável" no desenvolvimento da IA.
Os laboratórios "entendem bem o que está em jogo, mas estão presos em uma corrida para chegar primeiro (...) apesar do risco", afirmou Coxon.
China
"Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, em um artigo publicado on-line no domingo (13).
"Elas estão travando guerras de opinião pública e guerras cognitivas contra a China, ameaçando diretamente nossa segurança política, institucional e ideológica", afirmou. (AFP)