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Tecnologia

RN vai abrigar supercomputador brasileiro de IA

Equipamento será um dos maiores processadores do mundo e custo estimado é de R$ 1 bilhão

22 de Agosto de 2026 às 19:35
Agência Brasil
Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo fica em Macaíba, na região de Natal
Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo fica em Macaíba, na região de Natal (Crédito: Divulgação )

O Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal, foi escolhido para abrigar o novo supercomputador de inteligência artificial (IA) que será adquirido pelo governo federal por pouco mais de R$ 1 bilhão.

O edital público de concorrência para a compra do supercomputador será publicado no Diário Oficial da União (DOU), segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os recursos são oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O supercomputador deverá alcançar 7.200 petaflops, cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. Petaflop é uma unidade usada para medir a capacidade de processamento de supercomputadores. Um petaflop corresponde a 1 quatrilhão de operações matemáticas por segundo.

Assim, uma máquina de 7.200 petaflops pode realizar, em teoria, até 7,2 quintilhões de operações de ponto flutuante por segundo. Para se ter uma ideia, a atual máquina mais potente do país é o supercomputador Santos Dumont, instalado no Rio de Janeiro, que opera com 27 petaflops.

A capacidade do novo equipamento será disponibilizada para empresas, universidades, instituições científicas e governos para treinamento de modelos, pesquisa e desenvolvimento de aplicações de IA. A execução será feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

O objetivo é abrir espaço para pesquisa, inovação, novos produtos, serviços e negócios por meio da maior capacidade computacional disponível no Brasil.

"A gente vai reduzir nossa dependência. Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui", destacou a ministra Luciana Santos, do MCTI, ao acrescentar que o supercomputador estará entre os 10 mais potentes do planeta.

Segundo a ministra, o edital prevê contrapartidas relacionadas à transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com previsão de capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos.

A medida integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que reúne ações para ampliar a infraestrutura tecnológica do País, formar profissionais, promover a transferência de tecnologia e fortalecer governança e a soberania digital.

A escolha do Nordeste levou em conta o esforço de reduzir as desigualdades regionais no campo tecnológico e a abundância de energia renovável. O Rio Grande do Norte é líder na produção de energia eólica.

Outra iniciativa é o desenvolvimento de chips com arquitetura aberta Risc-V, para reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias.

Segundo o MCTI, essa frente será conduzida pelo Instituto Eldorado, de Campinas, em São Paulo, em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha, e busca ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias críticas para a computação de alto desempenho e a inteligência artificial. (Agência Brasil)