Comércio exterior
EUA acusam Brasil de ajudar China a burlar tarifas de importação
Os Estados Unidos divulgaram um relatório acusando o Brasil e cerca de 40 países de ajudarem a China a burlar tarifas de importação americanas por meio de transbordo ilegal (transshipping, em inglês). Intitulado "O Grande Esquema do Transbordo", o documento classifica os países em diferentes níveis de ligação com Pequim.
O Brasil foi incluído no grupo de "Nível 2", classificado como "Integração Econômica Significativa", junto a países como Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia. Segundo o relatório, esses países combinam volumes significativos de transbordo ilegal com integração a cadeias de oferta da China, plataformas de manufatura, sistemas logísticos e canais regionais de redirecionamento dos mercadorias.
O transbordo ilegal é a prática comercial em que mercadorias de um país são enviadas a outro sofrendo pequenas alterações de rotulagem, embalagem ou montagem — antes de entrarem no destino final, com o objetivo principal de burlar tarifas de importação, cotas ou sanções.
Segundo os EUA, Brasil e Turquia atuam como "importantes plataformas regionais de produção e logística" ao também "simular a transformação" de produtos em diversas categorias para alterar sua origem declarada, acusa o relatório.
O Brasil é mencionado como parte dos "Corredores Latino-Americanos" para redirecionamento de produtos nos Oceanos Pacífico e Atlântico, armazenamento em entrepostos aduaneiros e montagem regional de componentes.
Entre grandes parceiros comerciais dos EUA, o relatório aponta o envolvimento do México, Canadá, União Europeia, Japão e Índia com a China, colocando-os no "Nível 1". (Estadão Conteúdo)