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Atividade econômica

Varejo cresce 0,5% em junho e 1,9% no 1º semestre

Desaceleração dos preços contribuiu para o desempenho do comércio

13 de Agosto de 2026 às 21:20
Estadão Conteúdo [email protected]
É o segundo patamar mais alto da série, iniciada em 2000, segundo o IBGE
É o segundo patamar mais alto da série, iniciada em 2000, segundo o IBGE (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO / ARQUIVO JCS (14/4/2025))

As vendas no comércio brasileiro cresceram 0,5% na passagem de maio para junho e fecharam o primeiro semestre com expansão de 1,9%, quando comparadas ao mesmo período do ano passado.

Na comparação com junho de 2025, a alta é de 2,9%. No acumulado de 12 meses, o comércio tem variação positiva de 1,6%. No segundo trimestre, houve recuo de 0,4% em relação ao primeiro trimestre de 2026.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho recente deixa o setor 0,8% abaixo do maior nível já registrado, atingido em março de 2026.

O analista da pesquisa, Cristiano Santos, frisa que é "o segundo patamar mais alto da série, iniciada em janeiro de 2000". Ele acrescenta que há um efeito estatístico. "Quando se está no ponto mais alto da série, é mais difícil continuar crescendo."

Na comparação com meses imediatamente seguidos, apenas um mês de 2026 apresentou recuo de vendas: janeiro (0,5%), fevereiro (0,8%), março (0,8%), abril (-1,5%), maio (0,3%) e junho (0,5%).

Inflação

A desaceleração da inflação em maio e junho e o avanço do emprego favoreceram o desempenho do comércio varejista restrito, avaliou Cristiano Santos.

Ao analisar a influência dos indicadores macroeconômicos sobre o comércio, ele afirmou que há "mais fatores que levam para o campo positivo do que fatores que levam para o campo negativo".

Segundo o pesquisador, a inflação cheia perdeu força no período e o peso de itens relevantes para o consumo das famílias passou a aliviar.

Santos destacou que a alimentação no domicílio, importante para a conversão de receita em volume no segmento de supermercados, veio negativa em junho, após ter sido positiva em maio.

Além disso, afirmou que a inflação desacelerou ou veio negativa em grupos como vestuário, mobiliário, eletrodomésticos, equipamentos e produtos farmacêuticos, reforçando um ambiente de menor pressão inflacionária para o varejo restrito.

Pelo lado do mercado de trabalho, Santos destacou que o aumento do número de pessoas ocupadas compensou a queda dos rendimentos. "A massa de rendimento teve uma ligeira queda de 0,5%, mas o número de pessoas ocupadas cresceu 1,1% em junho de 2026 em relação a maio", disse, citando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). "São fatores que têm uma distribuição mais para o positivo, o que ajuda a segurar esse indicador de volume no campo de crescimento", completou.

Sobre o varejo ampliado, Santos afirmou que o setor ainda sente os efeitos da inflação de automóveis novos e de material de construção. "Material de construção e automóvel novo tiveram aceleração. Então, quando a gente olha o ampliado, a gente vai ver que o ampliado, sim, está em queda", disse.

Ao mesmo tempo, o gerente ponderou que há fatores limitadores, como o peso dos juros sobre o crédito à pessoa física. Santos explicou que, quando o crédito não se expande, "há uma menor chance de isso bater no consumo" e, consequentemente, nos indicadores da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

Em junho, o varejo ampliado ficou 2,1% abaixo do recorde da série histórica, registrado em fevereiro de 2026. Em 2026, o varejo ampliado subiu 1,1% no primeiro trimestre e caiu 1,0% no segundo. (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)