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Atividade econômica

Retração mais forte da indústria pode favorecer corte de juros

04 de Agosto de 2026 às 21:46
Da Redação com Estadão Conteúdo [email protected]
Queda foi de 1,8% em junho na comparação com maio
Queda foi de 1,8% em junho na comparação com maio (Crédito: DIVULGAÇÃO / CNI)

O recuo da atividade industrial em junho pode favorecer um ritmo maior de redução dos juros. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, se reuniu ontem (4) e hoje (5) para definir a taxa Selic, que atualmente está em 14,25% ao ano.

A queda de 1,8% da produção industrial em junho na comparação com maio, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou mais intensa do que a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que apontava para uma queda de 0,6%. Na comparação com junho de 2025, a produção industrial subiu 1,7%, de acordo com o IBGE, ficando abaixo da mediana das estimativas, que era de crescimento de 3%.

A queda pode ter características de ajuste após a aceleração de 2025, disse André Luiz Oliveira Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. Além disso, explicou, a taxa de juros elevada tem impacto no poder de compra das famílias e nas decisões das empresas sobre produção e modernização dos parques produtivos.

"A foto do momento é de menor dinamismo, ressaltado pelo resultado mais espalhado no campo negativo, com 16 das 25 atividades no campo negativo, e pela magnitude da queda, que já havia ocorrido no mês anterior", afirmou Macedo em entrevista coletiva para comentar os resultados da pesquisa. "Foi um espalhamento importante."

Ele também destacou que a política monetária mais apertada traz consequências para a demanda doméstica, com maior inadimplência e menor poder de compra das famílias, disse Macedo. "Isso também pode estar por trás do ritmo de produção da indústria, a fim de se adequar à demanda."

Além disso, aspectos turbulentos da esfera internacional também estão presentes no contexto da indústria e explicam o distanciamento que o setor tem de pontos mais elevados de sua série histórica, apesar do mercado de trabalho mais resiliente, com mais pessoas ocupadas, frisou o gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Macedo informou ainda que a atividade industrial avançou 1,4% no primeiro trimestre de 2026 e desacelerou para 0,3% no segundo trimestre.

Influências

A influência negativa mais importante sobre a produção industrial foi a do grupo coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho de 2026, marcando, o segundo mês seguido de queda na produção, período em que acumulou perda de 11,8%. O segmento responde por cerca de 15%. "A atividade derivada do petróleo e combustíveis havia acumulado 16,5% em cinco meses de expansão. Então esses dois meses no campo negativo maio e junho vão eliminar uma parte importante desse crescimento acumulado nesse período anterior, mas o saldo ainda é positivo."

Outras contribuições negativas relevantes sobre o total da indústria vieram de produtos químicos (-4,3%), produtos alimentícios (-1,9%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-11,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-11,0%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-8,9%).

Na mão oposta, entre as nove atividades que mostraram avanço na produção, celulose, papel e produtos de papel (5,4%) exerceu a principal influência na média da indústria e marcou o terceiro mês consecutivo de expansão, período em que acumulou crescimento de 7,3%. (Da Redação com Estadão Conteúdo)