Buscar no Cruzeiro

Buscar

Juros

Copom inicia reunião e mercadoespera queda na taxa de juros

Boletim Focus mostra mudança nas expectativas, com redução após cinco semanas de estabilidade

03 de Agosto de 2026 às 21:29
Estadão Conteúdo e Agência Brasil
Comitê de Política Monetária, do Banco Central, define amanhã se Selic terá nova queda
Comitê de Política Monetária, do Banco Central, define amanhã se Selic terá nova queda (Crédito: ARQUIVO / AGÊNCIA BRASIL)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) inicia hoje (4) a quinta reunião de 2026, em meio às projeções do mercado financeiro para novos cortes nos juros e redução das expectativas sobre a inflação.

A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada na noite de amanhã (5), depois de dois dias de discussões acerca do cenário econômico nacional e internacional.

A Selic está em 14,25% ao ano — menor patamar registrado em 2026, após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual promovidas pelo Copom nas reuniões de março, abril e junho.

Na véspera do encontro, o Boletim Focus divulgado ontem (3) mostrou mudança nas expectativas do mercado financeiro. A mediana das projeções para a Selic ao fim de 2026 caiu de 14% para 13,75%, após cinco semanas de estabilidade.

As projeções do mercado, portanto, sugerem que o Banco Central promova pelo menos um ou dois novos cortes até o final do ano.

Considerando só as 100 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também diminuiu de 14,00% para 13,75%

A estimativa intermediária para a taxa no fim de 2027, por outro lado, seguiu em 12% pela sétima semana seguida. Levando em conta apenas as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 12% para 12,25%.

Incertezas

No comunicado da última reunião, realizada em junho, o Copom voltou a enfatizar a incerteza do cenário e disse que, em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, a magnitude total do atual ciclo de calibração da Selic seria estabelecida "à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta".

No último dia 24, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que o Copom trabalha com diferentes "planos de voo" para a condução da política monetária e avalia qual deles tem a maior capacidade de levar a inflação para mais perto da meta de 3%, com o menor custo em termos de volatilidade.

Indústria

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou em pesquisa divulgada ontem, que, com os juros em alta, 39% das empresas industriais consultadas projetam aumento da dívida bancária nos próximos três meses.

"Mesmo depois dos três cortes de juros que tivemos em 2026, a taxa Selic continua muito alta e isso tem consequências negativas sobre a atividade industrial. Os resultados mostram que as empresas esperam uma maior pressão financeira nos próximos meses. Nesse cenário, os empresários esperam não só aumentar a tomada de crédito, mas fazer isso a um custo ainda mais alto", avalia Maria Virginia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI. (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)