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Comércio exterior

Países reagem à nova sobretaxa de até 12,5%

Governo dos EUA usou como argumento produtos fabricados com trabalho forçado

24 de Julho de 2026 às 21:50
Trump reforçou a aplicação de sobretaxas de importação
Trump reforçou a aplicação de sobretaxas de importação (Crédito: SAUL LOEB / AFP)

Alguns dos países afetados pela nova sobretaxa de até 12,5% anunciada pelos Estados Unidos na tarde de quinta-feira (23) reagiram à medida, que entrou em vigor hoje (24).

O governo americano afirmou que as tarifas foram impostas em resposta a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

A sobretaxa se aplica aos 60 principais parceiros comerciais dos EUA, que representam 99,4% das importações americanas, incluindo Brasil, China e União Europeia, com alíquotas que variam de 10% a 12,5%.

Brasil

O Brasil está sujeito a uma sobretaxa de 12,5%. O governo brasileiro reagiu logo após o anúncio feito pelos EUA, rechaçou a medida e afirmou que acionará a Lei da Reciprocidade.

"Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC)", afirmou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em nota.

Para o governo brasileiro, o USTR optou por manipular um tema caro aos direitos humanos. "Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais."

"Somos signatários de 66 convenções em vigor na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Enquanto os EUA, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas convenções", acrescentou o governo brasileiro.

União Europeia

Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou, em comunicado enviado à agência de notícias Reuters, que a União Europeia "vê de forma positiva" o fato de a medida estar "em conformidade com os compromissos tarifários dos EUA", acrescentando que isso proporciona um "impulso positivo" para continuar o trabalho de ampliar as isenções tarifárias e aprofundar a cooperação.

Há quase um ano, a União Europeia e os EUA assinaram um acordo que limita as tarifas a um teto de 15%. O porta-voz disse que a UE espera que Washington continue cumprindo os termos do acordo.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, questionou a justificativa dos EUA em entrevista à emissora Channel News Asia. "Se compararmos nossas leis trabalhistas com as dos EUA, quero dizer, nós temos férias remuneradas, temos ótimas condições de trabalho para nossos funcionários, então não há muita base nisso", afirmou Kaja.

China

A China está sujeita a uma sobretaxa de 12,5%. O Ministério das Relações Exteriores do país afirmou que "se opõe a todas as formas de tarifas unilaterais", reiterando uma posição já defendida. "As guerras tarifárias e as guerras comerciais não servem aos interesses de nenhuma das partes", disse o porta-voz da pasta, Lin Jian. (Estadão Conteúdo)