Comércio exterior
EUA anunciarão novas tarifas para 60 países
Governo norte-americano impõs taxa de 50% sobre alguns produtos canadenses
Os Estados Unidos anunciarão novas tarifas para aproximadamente 60 países nos próximos dias, afirmou o representante comercial norte-americanos Jamieson Greer, ontem (21), em entrevista à CNBC.
O governo dos EUA iniciou investigações sobre práticas comerciais, particularmente aquelas relacionadas ao trabalho forçado, e os resultados são esperados para esta semana.
As tarifas, que podem afetar os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, têm o objetivo de substituir as tarifas temporárias de 10% impostas pelo presidente Donald Trump após a Suprema Corte ter derrubado as sobretaxas no ano passado.
"Os Estados Unidos têm leis que proíbem o comércio de bens produzidos com trabalho forçado. A maioria dos outros países não possui tais leis, e aqueles que as possuem não as aplicam de fato", disse Greer à CNBC. "Esperamos ver algumas ações em breve", acrescentou.
No final de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA anulou uma parte significativa das tarifas impostas pelo presidente americano, alegando que ele havia feito uma leitura anticonstitucional de um texto legal para justificá-las.
A decisão não afetou as tarifas setoriais, que visam os setores automotivo, siderúrgico, de alumínio e de cobre.
Trump anunciou então novas tarifas, baseadas em uma disposição legal diferente que o autorizava a aplicar essas sobretaxas por um período máximo de 150 dias.
Canadá
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (20) decretos para impor novas tarifas de 50% sobre alguns produtos canadenses, alegando "tratamento discriminatório" nos setores de álcool, automóveis e produtos lácteos.
Segundo a Casa Branca, as tarifas entrarão em vigor em 30 dias e vão abranger uma ampla variedade de produtos, entre eles vinho, tacos de hóquei e cimento. Importações como produtos do setor de energia e bens sujeitos a direitos específicos por setor estão excluídas.
No geral, as novas tarifas serão aplicadas a produtos que entram no país no contexto do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá.
A Casa Branca apontou que o Canadá foi um dos dois países, juntamente com a China, que retaliaram contra as amplas tarifas impostas por Trump desde 2025. Também mencionou que a maioria das províncias canadenses suspenderam as compras de álcool americano.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou ontem (21) que está "avaliando todas as opções" para responder ao aumento de 50% das tarifas.
"O Canadá fará o que for necessário para apoiar seus trabalhadores e seus empregos", disse Carney à imprensa depois de falar com o presidente americano pela manhã.
"Acordamos intensificar nossas negociações nas próximas duas semanas", antecipou o primeiro-ministro canadense, que não contempla por enquanto ir a Washington.
"Nosso principal objetivo segue sendo conseguir um acordo global", afirmou o primeiro-ministro canadense.
A oposição conservadora, por sua vez, critica a ação do governo Carney, orientada à conclusão de novas alianças internacionais, e pede que os recursos naturais do vasto território canadense sejam aproveitados em resposta à guerra comercial com os Estados Unidos. (AFP