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Comércio exterior

Setor industrial prevê perdas nas exportações

Fiesp discorda das negociações com os EUA conduzidas pelo governo federal

16 de Julho de 2026 às 21:30
Da Redação com Estadão Conteúdo [email protected]
Abicalçados considera queda maior nas vendas externas
Abicalçados considera queda maior nas vendas externas (Crédito: MIGUEL ÂNGELO / CNI)

Entidades do setor industrial se posicionaram frente à confirmação da tarifa de importação de 25% para produtos brasileiros. Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) diz que lamenta a aplicação de uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado americano. A entidade destaca que a decisão é especialmente prejudicial por ser aplicada de forma unilateral, o que reduz significativamente a competitividade do País perante concorrentes globais, e critica também a postura do governo brasileiro.

"Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral", diz a nota.

Ainda de acordo com a entidade, "a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA em outras oportunidades no último ano".

"O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo 'pedágio' imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios", disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que acompanha com preocupação a nova rodada de tarifas sobre exportações brasileiras. Segundo a entidade, a sobretaxa agrava um cenário e amplia a insegurança para empresas dos dois países.

"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) manifestou preocupação. Com a nova tarifa, a associação revisou sua projeção para as exportações totais de calçados em 2026, estimando queda média de 7,1%, piora de 3,5 pontos porcentuais em relação à previsão anterior, de retração de 3,6%.

"A aplicação desta tarifa adicional reduz significativamente a competitividade do calçado brasileiro nos Estados Unidos e inviabiliza muitas operações que vinham sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%, em fevereiro deste ano", afirmou o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

As exportações brasileiras para o mercado norte-americano diminuíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, desde 2025 com o tarifaço. A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais. Apesar da queda, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período. (Da Redação com Estadão Conteúdo)