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Polícia Federal

PF mira empresários por fraude nas Americanas

Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann afirmaram que foram surpreendidos

25 de Junho de 2026 às 22:52
Da Redação com Estadão Conteúdo [email protected]
Rede varejista informou que é "a maior interessada no esclarecimento dos fatos"
Rede varejista informou que é "a maior interessada no esclarecimento dos fatos" (Crédito: Cezar Ribeiro / Arquivo JCS)

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de ontem (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que busca aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões nas Lojas Americanas. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, ambos ligados ao grupo controlador da varejista. A operação também atinge executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do conselho de administração da companhia

Após a ofensiva da PF, a Americanas informou que "seguirá colaborando com as investigações" e afirmou ser "a maior interessada no esclarecimento dos fatos". O Santander declarou que "está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes". O Bradesco disse que acompanha a operação e que está à disposição das autoridades.

Segundo as investigações, os alvos desta segunda fase da Operação Disclosure teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos pela varejista.

As irregularidades estariam relacionadas às operações de risco sacado - modalidade de crédito utilizada para antecipar pagamentos a fornecedores por meio de instituições financeiras - e ao registro de contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) sem respaldo econômico suficiente para justificar sua contabilização.

Na ação, policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

Na prática, enquanto o início do escândalo tratava a fraude como uma ação isolada da diretoria executiva, a nova fase das investigações muda o patamar da crise ao apontar para a possível cumplicidade de quem estava no topo da pirâmide e do sistema financeiro.

No ranking de bilionários da revista Forbes de 2026, a família Lemann aparece na terceira colocação entre as mais ricas do Brasil, com patrimônio estimado em US$ 19,8 bilhões. Além de Paulo, Jorge tem outros cinco filhos.

Defesa

Os principais acionistas da Americanas afirmaram, em nota, que foram surpreendidos pela operação deflagrada pela Polícia Federal e que as investigações têm apontado que tanto eles quanto o conselho de administração "foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da companhia".

Por meio da LTS, empresa que cuida dos investimentos de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, os acionistas declararam entender que a operação faz parte do curso das apurações em andamento e reiteraram o compromisso de colaborar "plenamente" com as autoridades para esclarecer os fatos.

Segundo a nota, as defesas não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial que fundamentou a medida, de modo que os acionistas aguardam mais informações para eventual manifestação. (Estadão Conteúdo)