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Brasil no G7

No G7, Lula diz que China é importante para o Brasil

Presidente também defendeu o Pix, que é questionado pelos EUA

18 de Junho de 2026 às 00:03
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Líderes mundiais participam de encontro na Europa
Líderes mundiais participam de encontro na Europa (Crédito: LUDOVIC MARIN / AFP (17/6/2026))

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem (17) que discorda do posicionamento da União Europeia sobre a China, que foi discutida na Cúpula do G7. Os europeus se queixam de uma competição desigual com os chineses, e Lula diz “não querer entrar na briga” e que o país asiático é um “parceiro privilegiado” do Brasil.

“Nós não queremos entrar na briga dos dois. Para nós, a China é importante. Eu não tenho nenhuma queixa da China. A balança comercial com o Brasil é de US$ 165 bilhões com superávit para o Brasil. A relação com os EUA, ano passado, foi de US$ 80 bilhões, com déficit de US$ 10 bilhões para o Brasil. Então, obviamente, a China passa a ser um parceiro privilegiado para o Brasil”, afirmou Lula em declaração à imprensa em Genebra, na Suiça.

Lula afirmou ainda que os investimentos chineses da BYD motivaram a concorrentes brasileiras a aumentarem os investimentos. Ele lembrou que depois da chegada da empresa, outras indústrias anunciaram investimentos, até 2030, de R$ 190 bilhões.

Na declaração à imprensa, Lula voltou a dizer que é a favor da participação estrangeira na exploração de terras raras e minerais críticos, desde que os países detentores possam ter valor agregado.

“Quanto mais países estiverem interessados em fazer investimentos nos nossos países, em comprar nossos produtos, e estiverem dispostos a contribuir participando da exploração, industrialização e do enriquecimento das terras raras e minerais críticos, desde que seja nos nossos países, sejam bem-vindos”, afirmou.

Pix

Lula citou, durante almoço do G7 sobre inteligência artificial, o Pix como “referência de como dados integrados podem promover inclusão financeira e eficiência digital”. A referência acontece no momento em que os Estados Unidos usou a ferramenta, criada pelo Banco Central do Brasil, para justificar tarifas contra produtos brasileiros.

O presidente afirmou que o Pix é “uma de nossas maiores entregas para o cidadão brasileiro, um sistema de pagamento público e gratuito que serve como referência de como dados integrados podem promover inclusão financeira e eficiência digital”.

O discurso do presidente no almoço não foi transmitido. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência divulgou o conteúdo da fala algumas horas depois do evento.

O presidente da República elogiou os avanços tecnológicos permitidos por meio do avanço da inteligência artificial, mas disse que é preciso que “o engajamento das grandes empresas de tecnologia é indispensável para que o futuro digital seja construído e vivido de forma segura, ética e alinhada ao interesse público”. Para Lula, “regular o ambiente digital é central para proteger direitos fundamentais”.

Lula também criticou as big techs ao mencionar que elas “possuem valor equivalente ao de grandes economias”, enquanto “2,6 bilhões de pessoas ainda permanecem desconectadas da internet”. Ele falou que “sem ação deliberada, a inteligência artificial pode ampliar — e não reduzir — desigualdades”.

O presidente brasileiro ainda disse que Donald Trump “conhece pouco o Brasil” e que os Estados Unidos “poderiam aprender com o Brasil” sobre como ter “eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”. Lula foi enfático ao cobrar que Trump “não se meta nas eleições do Brasil” e respeite a soberania brasileira. (Estadão Conteúdo)