Dinheiro
Inflação desacelera no mês de maio e fica em 0,58%
Alimentação, energia elétrica e saúde pesaram no orçamento das famílias
A inflação oficial no País desacelerou na passagem de abril para maio, com a ajuda da queda nos preços dos combustíveis. No entanto, os alimentos ainda pesaram no orçamento das famílias, assim como os gastos com energia elétrica e saúde. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou maio com alta de 0,58%, ante um avanço de 0,67% em abril, informou ontem (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado de maio foi o mais elevado para o mês desde 2021. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses acelerou pelo terceiro mês consecutivo, subindo a 4,72%, a mais acentuada desde setembro de 2025. O índice se distancia assim ainda mais do teto de 4,50% da meta de inflação (de 3,00%) perseguida pelo Banco Central.
A inflação segue preocupante, mas com leve melhora influenciada por serviços, avaliou Francisco Luis Lima Filho, economista sênior do banco ABC Brasil.
“Com a divulgação de hoje (ontem) e o atual choque do petróleo esperamos um IPCA de 5,2% para 2026 e de 3,9% para 2027. A falta de resolução do conflito deverá manter os níveis do petróleo bruto Brent elevados e o IPCA acima do limite superior da meta (4,5%) nos próximos meses”, previu Lima Filho, em relatório.
Além de um contínuo impacto da guerra no Oriente Médio, os dados de maio apontam pressões de demanda doméstica aquecida e problemas de oferta, afirmou o economista Carlos Lopes, do Banco BV. Com isso, Lopes relembra que o Comitê de Política Monetária do Banco Central indicou continuar o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, mas uma pausa agora também seria plausível. “Já há sinais bem relevantes de pressões inflacionárias para isso”, disse Lopes.
Os recuos nos preços da gasolina, etanol e óleo diesel ajudaram a deter a inflação em 0,13 ponto porcentual em maio. A gasolina exerceu o maior alívio, com recuo de 1,46% e uma contribuição de -0,08 ponto porcentual. O óleo diesel diminuiu 2,34%, impacto de -0,01 ponto porcentual, e o etanol caiu 6,20%, -0,04 ponto porcentual. Já o gás veicular subiu 5,81%. A passagem aérea também aumentou, 3,20%, uma pressão de 0,02 ponto porcentual.
O custo dos alimentos subiu em maio pelo sexto mês consecutivo. O grupo alimentação e bebidas teve uma elevação de 1,33% em maio, respondendo por metade do IPCA de maio.
A maior vilã individual da inflação em maio foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67%, uma pressão de 0,15 ponto porcentual. ‘Teve a bandeira tarifária amarela e teve reajuste em várias áreas‘, ressaltou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE. (Estadão Conteúdo)