Pedido
Americanas pede fim da recuperação judicial
A Americanas concluiu, na quarta-feira (25), a venda da Imaginarium e da Puket, agrupadas na Uni.Co, e protocolou pedido de encerramento da recuperação judicial perante o Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.
A companhia havia feito o pedido de recuperação judicial em 19 de janeiro de 2023, após a revelação de “inconsistências contábeis” (fraude) de cerca de R$ 20 bilhões. O processo, um dos maiores do País com dívidas de R$ 43 bilhões, foi aceito na 4ª Vara Empresarial para suspender o pagamento de credores.
A justificativa apresentada pela companhia é “o cumprimento de todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial com vencimento até dois anos após a homologação”. O documento inclui todo o Grupo Americanas (como B2W, JSM Global e ST Importações).
No âmbito de sua recuperação judicial, a Americanas concluiu o processo competitivo para a venda da Uni.Co, uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), estrutura montada em uma recuperação judicial para proteger um ativo a ser negociado.
A conclusão da operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo a Americanas, o contrato de compra e venda de ações será firmado pelos termos estabelecidos no edital.
De acordo com fato relevante arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os administradores da companhia adotarão as medidas necessárias para o encerramento da recuperação judicial do Grupo Americanas.
Na quarta-feira, a Americanas também divulgou os resultados de 2025. A companhia reduziu em 92,5% o prejuízo no quarto trimestre, para R$ 44 milhões, em mais um avanço no processo de recuperação operacional, sustentado por corte de custos e reestruturação do modelo de negócios, agora mais concentrado nas lojas físicas.
O Ebitda ajustado (o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) contabilizou R$ 276 milhões no mesmo período, alta de 1,9% na comparação anual, enquanto a receita líquida caiu 3,8%, para R$ 3,6 bilhões, refletindo a retração do digital
O volume bruto de mercadorias (GMV) somou R$ 5,1 bilhões no final de dezembro, queda de 5,6% na comparação anual, pressionado principalmente pela retração de 68,9% no canal digital, que totalizou R$ 261 milhões, parcialmente compensada pelo avanço de 6,4% nas lojas físicas, que somaram R$ 4,8 bilhões.
Resultados
Segundo o presidente da Americanas, Fernando Soares, a melhora dos resultados está ligada à reformulação da estratégia, com foco no consumidor e na integração entre canais. “Reprogramamos o digital. Ele deixou de ser um e-commerce independente e passou a servir a loja, com entrega a partir das unidades e retirada em loja”, afirmou Soares.
A varejista vem priorizando o canal físico, que concentrou a maior parte das vendas ao longo do ano, apoiada por uma rede de cerca de 1,5 mil lojas no País e uma base de cerca de 50 milhões de consumidores mensais. Nesse contexto, o digital passa a atuar como complemento, com iniciativas como retirada em loja e uso das unidades como ponto de distribuição. (Estadão Conteúdo)