Guerra
FMI alerta para inflação global por alta do petróleo
Tensão no Oriente Médio elevou preço dos combustíveis
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou para o risco de inflação global devido à alta no preço do petróleo com a guerra no Oriente Médio. A afirmação foi feita ontem (9) em discurso em Tóquio.
“Meu conselho para os formuladores de políticas em todo o mundo neste novo cenário global? Pensem no impensável e preparem-se para ele”, disse a dirigente do FMI, ao mencionar que ‘certamente‘ haverá outro choque após o fim da guerra entre EUA e Irã. Ela acrescentou que o FMI já está analisando e avaliando o impacto potencial da situação nos países membros.
Como conselhos aos formuladores de políticas, Georgieva destacou a importância de investir em instituições e estruturas políticas sólidas, capazes de sustentar economias robustas e o crescimento liderado pelo setor privado; usar o “espaço político” quando necessário; e adotar posturas ágeis.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu que o preço dos combustíveis “está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”. Lula demonstrou preocupação com a guerra no Irã e disse que “esses conflitos têm efeitos deletérios sobre as cadeias de energia, insumos e alimentos”.
A declaração foi dada ontem ao lado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. O presidente sul-africano realizou visita de Estado e foi recebido por Lula no Palácio do Planalto.
Diesel
A escalada das tensões no Oriente Médio, que levou o preço do petróleo a ultrapassar a barreira dos US$ 100 o barril, paralisou o mercado de diesel importado no Brasil. Diante do temor de que a Petrobras não repasse os preços internacionais dos derivados para o mercado interno, os importadores suspenderam as compras — uma vez que o preço a ser vendido aqui ficaria inviável —, informou o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo. O diesel importado responde por cerca de 30% do mercado interno.
“Desde o início do conflito não está chegando carga nova, o mercado está parado. O nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço, ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento”, diz Araújo, prevendo que os estoques no Brasil garantem o abastecimento pelos próximos 15 dias. (Estadão Conteúdo)