Baixada Santista
Cubatão tenta reverter fechamento de fábricas
O prefeito de Cubatão, na Baixada Santista, César Nascimento (PSD), decidiu pedir ajuda ao governo federal após duas empresas que atuavam na cidade há décadas encerrarem atividades em menos de um ano. Uma unidade pertencia à petroquímica Unigel. A outra, à Yara Brasil, que, em fevereiro de 2025, interrompeu parte de sua produção local.
O chefe do Poder Executivo municipal planeja viajar a Brasília na companhia de representantes políticos, empresariais e sindicais da Baixada Santista. O objetivo é tentar sensibilizar a União sobre a necessidade de rever a política tarifária que incide sobre o setor petroquímico, em particular sobre a importação de fertilizantes.
“Vamos solicitar uma reunião com o vice-presidente [e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin] para tratarmos dos reflexos do fechamento de fábricas instaladas na cidade, problema que o município vem enfrentando há mais de uma década”, disse o prefeito, defensor de medidas de defesa comercial e de melhores condições de financiamento à atividade produtiva.
“A perda de protagonismo de um polo industrial da relevância de Cubatão não é um problema local, mas um fator de enfraquecimento da indústria nacional como um todo”, acrescentou Nascimento.
O prefeito também pretende pedir celeridade na conclusão do processo administrativo que a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Mdic, instaurou em 2025 para apurar a suposta existência de dumping nas exportações chinesas de produtos laminados de ferro ou aço para o Brasil. O dumping é quando uma empresa estrangeira ou país exporta seus produtos por preços inferiores ao custo de produção, com o objetivo de quebrar os concorrentes locais.
No dia 26 de dezembro de 2025, a secretaria tornou público um parecer preliminar, informando ter constatado o dumping nas exportações chinesas, mas prorrogando o prazo para concluir a investigação e a avaliação dos prejuízos para a indústria siderúrgica brasileira.
Após quase 70 anos funcionando em Cubatão, a Unigel comunicou, no último dia 8, a paralisação das atividades da fábrica de estireno (líquido usado na produção de um tipo de plástico, o poliestireno). Segundo a empresa, a decisão foi tomada em um “contexto de baixa sem precedentes na indústria química global, marcado por forte sobreoferta de commodities petroquímicas, intensificada pela expansão da capacidade produtiva internacional”, desde 2023. (Agência Brasil)