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Zona de livre comércio

União Europeia aprova acordo comercial com o Mercosul

Ratificação deve ocorrer ainda no Parlamento Europeu e França vê riscos

09 de Janeiro de 2026 às 22:17
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Agricultores franceses fizeram protesto em rodovias contra o tratado
Agricultores franceses fizeram protesto em rodovias contra o tratado (Crédito: GAIZKA IROZ / AFP (9/1/2026))

Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia (UE) aprovou sexta-feira (9) o acordo com o Mercosul, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com várias cláusulas destinadas a acalmar a oposição dos agricultores europeus.

O tratado representa um passo positivo para a UE em meio às relações transatlânticas tensas sob o governo do presidente dos EUA, Donald Trump. Autoridades da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco, vinham pressionando para que o acordo fosse aprovado rapidamente, após a conclusão das negociações com os países do Mercosul, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, em dezembro de 2024.

O Parlamento Europeu também terá que aprovar o acordo. “Alguns deputados europeus querem que o tribunal superior da UE analise o acordo comercial latino-americano, o que poderia atrasar o processo (esta manobra já foi tentada sem sucesso no ano passado)”, explicou o ex-secretário brasileiro de Comércio Exterior, Welber Barral.

“Uma vez aprovado pelo Parlamento, a parte comercial entra em vigor bilateralmente (com a ratificação de cada Estado Parte do Mercosul). Além disso, algumas seções do acordo (que vão além da política comercial) também precisarão ser votadas nos parlamentos nacionais da UE, conforme o procedimento constitucional de cada país”, completou Barral.

Apesar do acordo, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou ontem que adotará medidas “unilaterais” caso o setor agrícola e pecuário do país seja colocado em risco pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, cuja adoção a França tentou barrar, sem sucesso.

Annie Genevard fez essas declarações durante uma coletiva de imprensa para responder ao descontentamento dos agricultores, que nos últimos dias protestaram contra a adoção do acordo e contra a gestão da dermatose nodular bovina, uma doença animal.

Questionada sobre se a adoção do acordo representa um revés para a França no âmbito europeu, a ministra francesa defendeu as concessões feitas por Bruxelas aos agricultores europeus desde a conclusão do acordo em Montevidéu, em dezembro de 2024.

“A França fez-se ouvir”, assegurou a ministra conservadora, que advertiu: “Não hesitaremos em adotar unilateralmente uma série de medidas assim que considerarmos que nossos setores estão em perigo”. (Estadão Conteúdo e AFP)